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Correio da Manhã

Portugal
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Centenas de pessoas caminham vestidas de negro contra crime ambiental em Valongo

Aterro com “lixos tóxicos” teve licença renovada no ano passado e provoca “cheiros nauseabundos”.
Paulo Jorge Duarte e Manuel Jorge Bento 11 de Junho de 2019 às 08:10
Centenas de pessoas caminham vestidas de negro contra crime ambiental em Valongo
Centenas de pessoas caminham vestidas de negro contra crime ambiental em Valongo
Centenas de pessoas caminham vestidas de negro contra crime ambiental em Valongo
Centenas de pessoas caminham vestidas de negro contra crime ambiental em Valongo
Centenas de pessoas caminham vestidas de negro contra crime ambiental em Valongo
Centenas de pessoas caminham vestidas de negro contra crime ambiental em Valongo
"O que deveria ser um aterro de inertes virou depósito de lixos industriais, tóxicos e alimentares, e é preciso elucidar a população sobre os perigos", explicou Diogo Oliveira, durante uma caminhada de protesto contra o aterro de Sobrado, Valongo, que juntou esta segunda-feira cerca de 600 participantes vestidos de negro.

O presidente da câmara, José Manuel Ribeiro, criticou a renovação da licença, em 2018, e mostrou-se revoltado com a "falta de respeito pelas populações".

"É um cheiro nauseabundo, que piora com o vento e o calor. Eu tenho um terreno junto ao aterro e não consigo ir lá sem ser picado por insetos", disse José Ferreira, um dos participantes.

"Nem se consegue ter as janelas abertas. Eu sou totalmente contra o aterro", frisou Luísa Ferreira, moradora. "Já enviámos cartas e cartas a várias entidades, desde a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) ao Ministério do Ambiente, mas nada resulta", indicou o autarca José Manuel Ribeiro.

O licenciamento do aterro da Recivalongo decorreu em 2007, paralelamente a outro, no mesmo local, dedicado apenas a resíduos da construção civil. "Podem ser ali depositados 400 tipos de resíduos diferentes e, além de lamas e amianto, nem sabemos o que é ali colocado. Não podemos aceitar", referiu o presidente da câmara.

A CCDR-N indica que, desde o início do ano, foram realizadas seis fiscalizações no aterro da Recivalongo "sem o registo de qualquer infração ambiental", "desconhecendo-se práticas indevidas na receção ou gestão de resíduos além dos que constam nas licenças".

"Nas visitas de acompanhamento realizadas pela CCDR-N não foram detetadas situações de incumprimento", conclui a entidade.
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