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Correio da Manhã

Portugal
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Falta de mão de obra deixa barcos em terra no Algarve

Associação Armalgarve critica formação “excessiva” e que acaba por ser “desnecessária”.
Tiago Griff 11 de Janeiro de 2019 às 08:56
Dependendo do tamanho da embarcação, há sempre menos 30 ou 40 % profissionais do que os realmente necessários
Barcos de pesca na Ria Formosa
Dependendo do tamanho da embarcação, há sempre menos 30 ou 40 % profissionais do que os realmente necessários
Barcos de pesca na Ria Formosa
Dependendo do tamanho da embarcação, há sempre menos 30 ou 40 % profissionais do que os realmente necessários
Barcos de pesca na Ria Formosa
Há barcos de pesca em terra no Algarve devido à falta de mão de obra, um problema que se tem vindo a acentuar nos últimos anos.

Para além de haver alguma falta de interesse em trabalhar no mar, um dos fatores que em muito tem contribuído para esta realidade é a obrigatoriedade de fazer uma formação de cerca de dois meses para obter uma cédula marítima, algo que a associação de pescadores Armalgarve considera "excessivo" e que deveria estar reservado apenas para posições específicas na embarcação, como "nas áreas de mestria ou mecânica".

"Um pai de família, com obrigações financeiras diárias, não pode ficar dois meses a tirar uma formação sem receber. Até porque quando ele vem trabalhar para o barco vou ter de ensinar tudo novamente, porque só aqui é que eles aprendem verdadeiramente todas as especificidades", defende José Agostinho, presidente da Armalgarve.

Ele próprio tem um barco da apanha do polvo em terra há mais de um ano, depois de ter investido cerca de 30 mil euros para o renovar. "Já tive seis mestres de embarcação, mas falta sempre pessoal e o barco continua no porto", lamenta.

Mesmo entre quem tem barcos de pesca a trabalhar regularmente, "é raro" haver quem trabalhe com uma tripulação completa.

"Faltam sempre pessoas, o que dificulta um bom desempenho no mar. Dependendo do tamanho da embarcação, têm sempre menos 30 ou 40 por cento do que realmente precisam. A pesca está em decadência e, se não houver facilidade de acesso, torna-se difícil fazer vida disto", refere ainda José Agostinho.
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