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Correio da Manhã

Portugal
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“Fazer a vindima de máscara é mais difícil”

Trabalhadores estão mais afastados e têm outros cuidados por causa da Covid-19.
Tiago Virgílio Pereira 27 de Setembro de 2020 às 09:26
Maria Guerrinha, de 66 anos, usa máscara enquanto trabalha na vindima, em Vila Nova de Tazem
Maria Guerrinha, de 66 anos, usa máscara enquanto trabalha na vindima, em Vila Nova de Tazem FOTO: Nuno André Ferreira
Faz a vindima há mais de 50 anos e por isso conhece as vinhas da serra da Estrela como poucos. Maria Guerrinha, 66 anos, natural de Folgosinho, em Gouveia, passa o dia a cantarolar enquanto corta e atira para o balde um e depois outro cacho de uvas. Em Vila Nova de Tazem, terra de vinho do Dão, é tempo de vindima. Este ano, com a pandemia, quase tudo mudou. A vindima não escapou.

"É a primeira vez que faço a vindima de máscara. É mais difícil, mas tem de ser, é para bem de todos nós", explica Maria Guerrinha. Com Maria, estão mais 15 pessoas a trabalhar, todas de máscara e com cuidados reforçados, um pouco ‘estranhos’ à vida do campo. "Lavamos as mãos quando é possível. Às refeições tentamos estar separados uns dos outros e durante as viagens na carrinha estamos de máscara", relata.

A vindima está na reta final e chega agora à casta nobre do Dão: a Touriga Nacional. "Iniciámos a vindima na altura certa em termos de maturação da uva. Pelo meio tivemos alguma chuva, que nunca é benéfica, mas conseguimos ultrapassar. No geral correu muito bem", destaca o enólogo Pedro Nuno Pereira, da Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazem, que espera receber 1,5 milhões de quilos de uvas. Para já, a previsão aponta para uma quebra de produção "na casa dos 20%" e deve-se, sobretudo, às condições climáticas. "O ano vitícola não foi fácil, com geadas no início e granizo no final", explica. A qualidade não vai sair beliscada. "Propusemo-nos a produzir um novo espumante, de uma só fermentação e ainda mais dois vinhos diferenciadores de qualidade. E vamos conseguir", finaliza o enólogo.
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