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Correio da Manhã

Portugal
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Junta rejeita funeral a homem de etnia cigana

Autarca diz que não havia requisitos para a cerimónia acontecer na localidade.
António Lúcio e Pedro Galego 8 de Julho de 2017 às 13:03
O autarca Álvaro Nobre
O cemitério de Cabeça Gorda não recebeu o funeral de uma pessoa de etnia cigana
O autarca Álvaro Nobre
O cemitério de Cabeça Gorda não recebeu o funeral de uma pessoa de etnia cigana
O autarca Álvaro Nobre
O cemitério de Cabeça Gorda não recebeu o funeral de uma pessoa de etnia cigana
A comunidade cigana de Beja acusa a Junta de Freguesia de Cabeça Gorda de exclusão social. Em causa está o impedimento da realização de um funeral de um cidadão de etnia cigana no cemitério daquela aldeia. De acordo com o presidente da junta, Álvaro Nobre (CDU), o velório e o enterro foram impedidos porque o defunto não se enquadra em nenhuma das situações previstas no regulamento da freguesia e rejeita a acusação de discriminação.

"Podem ficar no cemitério os restos mortais das pessoas que morram nesta freguesia, que sejam aqui residentes, naturais ou que tenham jazigo de família no cemitério. Este caso não contemplava nenhum destes requisitos", explicou o autarca ao Correio da Manhã.

José António Garcia, de 55 anos, morreu a 29 de junho no Centro de Saúde de Moura, depois de se ter sentido mal em Pias, Serpa. O mediador cigano daquela comunidade, Prudêncio Canhoto, disse ao C M que a família queria o funeral em Cabeça Gorda porque José Garcia era "casado com uma senhora da Cabeça Gorda e que residia há quase dois anos na localidade".

"A violação da lei é mais que visível neste caso, consideramos que há um desrespeito moral e físico pelo cidadão falecido e sua família, além de estar bem claro um ato de discriminação racial", argumenta o comunicado da Associação de Mediadores Ciganos, que garante utilizar "todos os meios, sejam eles judiciais, ou através dos mecanismos democráticos ao alcance para que se faça justiça e se puna este autarca".

José António Garcia acabou por ser sepultado na freguesia vizinha da Salvada, num jazigo da família de José Garcia.
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