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Correio da Manhã

Portugal
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Mau cheiro da pecuária revolta povo de Pernes

Explorações de pecuária ao longo da bacia do rio Alviela lançam odor pestilento no ar.
João Nuno Pepino 2 de Novembro de 2020 às 08:52
Populares queixam-se que não há quem fiscalize o funcionamento das explorações agropecuárias
Populares queixam-se que não há quem fiscalize o funcionamento das explorações agropecuárias FOTO: João Nuno Pepino
Depois de décadas a sofrer com a poluição da indústria dos curtumes do concelho vizinho de Alcanena, a população de Pernes, Santarém, está revoltada com os cheiros "insuportáveis" e "nauseabundos" que têm assolado a vila nos últimos meses. O odor pestilento que se sente no ar vem agora das explorações pecuárias que proliferam na bacia do rio Alviela, e tem piorado bastante nos últimos dias.

"O que é que os ministérios do Ambiente e da Agricultura têm feito para assegurar a defesa do ambiente e salvaguardar o bem-estar das populações", diz ao CM José Gabriel, presidente da Comissão de Luta Anti-Poluição no Alviela (CLAPA), salientando que "não existem dúvidas" em relação à origem da poluição. Os residentes e as forças locais apontam o dedo às explorações agropecuárias, mas não escondem o descontentamento em relação à falta de fiscalização do funcionamento destas unidades. Este domingo, a CLAPA convidou as forças políticas do concelho e a população para conhecer ‘in loco’ os "efeitos da agropecuária intensiva", segundo José Gabriel. "É inadmissível que o cheiro nauseabundo proveniente da atividade pecuária se faça sentir desta forma", disse ao CM a vereadora com o pelouro do ambiente na Câmara de Santarém, Inês Barroso. Segundo esta, a autarquia tem encaminhado as denúncias para a Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP), que, no último relatório que enviou ao município, "não encontrou quaisquer irregularidades ou situações passíveis de aplicação de coimas". "Talvez seja melhor o município e a população acompanharem as ações de fiscalização", desabafou a vereadora.
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