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Correio da Manhã

Portugal
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Metade das plantas em risco de extinção em Portugal

Estudo identifica meia centena de espécies exclusivas de Portugal ameaçadas.
Vanessa Fidalgo 14 de Outubro de 2020 às 08:11
Centaurea Exarata habita areias soltas
Linaria hirta em culturas de sequeiro
Linaria dos Olivais, do Alentejo
Adonis Annua em Ourém e Santarém
Jonopsidium Acaule é da costa
Digitalis Mariana no montado
Centaurea Exarata habita areias soltas
Linaria hirta em culturas de sequeiro
Linaria dos Olivais, do Alentejo
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Digitalis Mariana no montado
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Linaria hirta em culturas de sequeiro
Linaria dos Olivais, do Alentejo
Adonis Annua em Ourém e Santarém
Jonopsidium Acaule é da costa
Digitalis Mariana no montado
Portugal continental tem 110 espécies de plantas endémicas, que não existem noutro lugar do planeta, mas 53 estão ameaçadas de extinção, segundo a Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, um levantamento inédito que ontem foi apresentado em Lisboa.

A investigação iniciou-se em 2016 e avaliou um total de 626 espécies e concluiu que 381 espécies (60%) estão ameaçadas de extinção e 19 já se extinguiram nas últimas décadas.

“Cada caso é um caso, mas o desaparecimento dos habitats é uma ameaça comum a quase todas. A perda da biodiversidade não é um problema só da Amazónia. Está a acontecer em Portugal”, avisou André Carapeto, coordenador do projeto, da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Botânica e da Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação, em parceria com o ICNF.

Uma das plantas mais ameaçadas de extinção em Portugal é a Avellara Fistulosa. “Não é avistada desde os anos 90 e deixámos de saber se existe. Habita em zonas húmidas e litorais, entre o Vouga e o Mondego, território muito pressionado pela expansão das espécie exóticas, poluição, drenagem e salinidade”, explica André Carapeto.

Outra espécie em risco é a Linaria dos Olivais, endémica do Baixo Alentejo e típica dos seus sistemas agrícolas tradicionais. “ O aparecimento de culturas intensivas na região colocou-a sob enorme pressão. É um caso paradigmático porque é uma espécie protegida pela lei europeia, mas não há medidas para a conservação do seu habitat”, elucida André Carapeto.

O biólogo frisou que a Lista Vermelha pretende “dar informação às autoridades responsáveis pela gestão do território, para que possam tomar medidas para preservar a biodiversidade”.
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