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Correio da Manhã

Portugal
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Multidão em Lisboa para travar furo em Aljezur

Consulta pública para submeter sondagem a avaliação ambiental termina amanhã.
Rui Pando Gomes 15 de Abril de 2018 às 09:47
Protesto decorreu nas ruas da capital. Manifestantes levaram vários cartazes
Protesto decorreu nas ruas da capital. Manifestantes levaram vários cartazes FOTO: Lusa
Uma multidão de mais de mil pessoas manifestou-se este sábado no centro de Lisboa para tentar travar o furo de sondagem de petróleo que o consórcio Eni/Galp quer começar a fazer, até ao final deste ano, ao largo de Aljezur, no Algarve. Amanhã termina a consulta pública que vai definir se o projeto deve ser submetido a procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental.

O protesto teve início na praça Luís de Camões, onde os manifestantes se concentraram e começaram um desfile em direção à Assembleia da República empunhando cartazes com frases como ‘estado de emergência climática’, ‘fora com o furo’, ‘nem aqui nem em lugar nenhum’ ou ‘nem o Papa quer petróleo em Portugal’.

O protesto foi organizado por uma plataforma que congrega 32 das principais organizações portuguesas de ambiente e de defesa do património além de movimentos cívicos, autarcas e partidos políticos.

Vasco Reis, de 80 anos e ex-veterinário da Câmara de Aljezur, decidiu deslocar-se até Lisboa para participar na manifestação trazendo um cartaz com fotos da organização ambiental Greenpeace retratando uma praia na Galiza, em Espanha, coberta de petróleo resultante do derrame do navio Prestige, em 2002, porque acredita que a prospeção de petróleo é uma atividade com elevados riscos ambientais no mar e para as espécies marinhas.

"Estamos aqui a protestar contra uma política económica que está a ser aplicada em detrimento do planeta e de um bem comum, que são os ecossistemas", sublinhou André Silva, do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN).

PORMENORES 
Petróleo para 17 anos
Os estudos das empresas Eni e Galp indicam que a bacia alentejana, ao largo da Costa Vicentina, pode ter recursos petrolíferos equivalentes a cerca de 17 anos de consumo nacional, entre 1000 e 1500 milhões de barris, segundo noticiou ontem o jornal ‘Expresso’.

Furo até final do ano
Apesar da grande contestação e do processo ainda estar dependente de um procedimento ambiental, o consórcio Eni/Galp está confiante que o primeiro furo, previsto a 46 quilómetros de Aljezur, vai mesmo avançar até o final do ano.
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