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Correio da Manhã

Portugal
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Pescadores reclamam ajuda para sobreviver

Homens do mar estão impedidos de trabalhar por causa do nível das toxinas.
Paulo Jorge Duarte 22 de Setembro de 2020 às 08:16
Marina Abrigo dos Pescadores foi palco dos protestos de cerca de 300 pescadores e mariscadores
Marina Abrigo dos Pescadores foi palco dos protestos de cerca de 300 pescadores e mariscadores FOTO: CMTV

Cerca de trezentos pescadores e mariscadores da ria de Aveiro protestaram, esta segunda-feira, na marina Abrigo dos Pescadores, contra a proibição da atividade por causa do nível de toxinas. Os manifestantes, que exercem a atividade na zona da Torreira, na Murtosa, garantem que estão sem trabalho há 50 dias e que já há famílias a passarem por dificuldades financeiras.

"São cerca de trezentas famílias que dependem disto. Se não trabalharmos, não há dinheiro. Vamos viver de quê? Vivemos num impasse, com filhos para criar. Pagamos licenças todos os anos e estamos para aqui ao Deus dará, sem ninguém que cuide de nós", disse, ao CM, Jacinto Brandão, um dos mariscadores revoltados.

"Só sabemos que a ria de Aveiro está fechada por causa das toxinas, mas ninguém no diz qual. Não nos dizem e assim não nos podemos defender ou salvaguardar, não podemos fazer contra-análises e ficamos de mãos atadas", acrescentou. "Já tentei que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera me informasse sobre as toxinas e o grau de toxicidade, mas dizem que só o podem fazer às associações. Ora, temos duas associações, pagamos quotas, mas ninguém quer saber", lamentou o mariscador, que explica que a situação dura desde o início da pandemia da Covid-19, mas que piorou com a questão das toxinas. "Tem de haver apoio para estas cerca de trezentas famílias, que não podem ficar à espera de uma autorização para trabalhar", argumentou Nuno Teixeira, coordenador da estrutura sindical. A Secretaria de Estado das Pescas e o IPMA foram questionados pelo Correio da Manhã, mas não foi obtida resposta em tempo útil.

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