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Correio da Manhã

Portugal
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Pescadores recusam depósitos de entulho em Setúbal

Dragagens na foz do Sado podem colocar em risco a zona onde se apanha sardinha, choco, salmonete e carapau.
Sofia Garcia 23 de Outubro de 2018 às 09:32
Carlos Pratas (à direita), da Bivalmar, considera que a prioridade agora passa por atenuar os prejuízos da obra
Plano de dragagens do rio Sado tem sido contestado em vários protestos
Carlos Pratas (à direita), da Bivalmar, considera que a prioridade agora passa por atenuar os prejuízos da obra
Plano de dragagens do rio Sado tem sido contestado em vários protestos
Carlos Pratas (à direita), da Bivalmar, considera que a prioridade agora passa por atenuar os prejuízos da obra
Plano de dragagens do rio Sado tem sido contestado em vários protestos
Convictos de que não conseguirão impedir a obra de ampliação dos canais do porto de Setúbal, que inclui a dragagem de mais de seis milhões de metros cúbicos de areia do rio Sado, as organizações representantes da comunidade piscatória de Setúbal estão empenhadas em impedir o depósito do entulho dragado na zona conhecida como restinga.

"O que interessa agora é anular o depósito das lamas arenosas na zona A, zona de maternidade, de pesqueiros onde se apanha sardinha, choco, salmonete, carapau, entre outras espécies muito importantes", explica Ricardo Santos, da Cooperativa de Pesca de Setúbal, Sesimbra e Sines.

"Tendo em conta que não conseguimos anular estas dragagens, a questão agora é concentrarmos o esforço em atenuar os prejuízos que este tipo de obra causa", diz Carlos Pratas, da Bivalmar.

De acordo com aqueles representantes da pesca local, que falaram ontem em conferência de imprensa, a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra demonstrou abertura para ponderar a alteração do local de despejo das areias para a zona a sul da barra da Cana, a uma profundidade maior.

Apesar da decisão de não tentarem impedir as dragagens, os representantes da comunidade piscatória de Setúbal garantem estar solidários com os movimentos de cidadãos que exigem o fim das escavações no rio Sado.

Na luta contra a obra está o movimento SOS Sado, que entregou ontem no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada uma providência cautelar contra o projeto.

O mesmo grupo vai ser recebido amanhã pelos deputados, na Assembleia da República.
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