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Correio da Manhã

Portugal
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Protesto em Montalegre gera boicote às eleições

População contesta mina a céu aberto, “danos irreparáveis” para o território e impacto na barragem do Alto Rabagão.
Manuel Jorge Bento 25 de Maio de 2019 às 09:19
Prospeções de lítio deram origem ao contrato de exploração, em Morgade, com a empresa Lusorecursos
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Prospeções de lítio deram origem ao contrato de exploração, em Morgade, com a empresa Lusorecursos
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A associação Montalegre Com Vida, que está a ser criada para lutar contra a exploração de lítio na freguesia de Morgade, apela à abstenção nas eleições de domingo. A população contesta a mina a céu aberto anunciada após ter sido assinado o contrato de exploração entre o Estado e a empresa Lusorecursos - que ali prevê investir 500 milhões de euros.

"Uma vez que se trata de eleições para a União Europeia, que sabemos estar por detrás deste processo, estamos a sensibilizar as pessoas para que não se dirijam às urnas", indicou Armando Pinto, porta-voz da associação - que está em processo de legalização.

Fala em "danos irreparáveis" para o território, incluindo trabalho ininterrupto na mina e ruído, a "destruição do património ambiental" e o impacto na barragem do Alto Rabagão, que fornece água para as casas de vários concelhos".

Já José Nogueira, presidente da Junta de Morgade, fala de "uma incompatibilidade muito grande" entre a mina e a classificação do território como Património Agrícola Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura e a Reserva da Biosfera declarada pela UNESCO. "Se a mina avançar, provavelmente vamos perder essa denominação", referiu o autarca, que indica ainda o impacto na saúde pública. "A população está contra, a junta está com a população", disse.

"Tudo quanto seja desenvolvimento para o território, a câmara é a favor, desde que seja casável com a obrigação de defender o património ambiental e paisagístico", afirmou Orlando Alves, presidente da Câmara de Montalegre. A Lusorecursos está a elaborar o Estudo de Impacto Ambiental.
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