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Correio da Manhã

Portugal
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Protestos e revolta com despejos no Lumiar

Duas famílias (oito pessoas) foram despejadas e muitas outras famílias já foram notificadas.
Bernardo Esteves 9 de Junho de 2018 às 09:48
Despejos no Lumiar
Despejos no Lumiar
Despejos no Lumiar
Despejos no Lumiar
Despejos no Lumiar
Despejos no Lumiar
Foi numa ação musculada e com apoio do Corpo de Intervenção da PSP que duas famílias, no total de oito pessoas, foram ontem despejadas de apartamentos da Gebalis que tinham ocupado na Alta de Lisboa, no Lumiar. Outras famílias na mesma situação receberam já ordens de despejo. A revolta levou ontem dezenas de moradores a protestar junto à Câmara Municipal de Lisboa (CML).

"É por desespero que as pessoas ocupam casas dos bairros sociais que estão abandonadas. Muitos vivem em casas sobrelotadas com os pais e esperam há anos que a CML lhes atribua casa e não têm capacidade económica para recorrer ao mercado privado", explica Maria João Costa, da associação Habita. "Não somos marginais, trabalhamos, mas ganhamos o ordenado mínimo. Precisamos de casas com rendas mais em conta para dar um tecto aos nossos filhos", afirma Ana Raquel, de 33 anos. A maioria dos moradores são mulheres que temem perder os filhos. "As comissões de proteção de crianças e jovens ameaçam tirar os filhos em caso de despejo", afirma Maria João Costa.

Garantem que as casas ocupadas estavam sujas e degradadas e eram usadas por toxicodependentes. "Fomos nós que limpámos e recuperámos as casas", diz Filipa Oliveira, 34 anos, mãe de dois filhos menores, que já recebeu ordem de despejo. Os moradores despejados foram ontem recebidos na CML e à hora do fecho desta edição ainda se discutia uma solução. A CML diz ter procedido a "desocupações" e garante que as casas ocupadas destinam-se a outras famílias, no âmbito do realojamento do bairro da Cruz Vermelha.
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