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Correio da Manhã

Portugal

12 anos de prisão para gang que assaltou carrinha de valores

O Tribunal de Coimbra condenou esta sexta-feira cinco autores do assalto a uma carrinha de valores em Taveiro a 12 anos de prisão e ilibou o sexto arguido que daria apoio logístico.
13 de Julho de 2012 às 18:22
Os ladrões fizeram uma emboscada ao blindado da Esegur, em Taveiro, e roubaram 293 mil euros
Os ladrões fizeram uma emboscada ao blindado da Esegur, em Taveiro, e roubaram 293 mil euros FOTO: Ricardo Almeida

O português emigrante em França, de alcunha "Manú", e os franceses "Papi", "Tanu", "Le Grand" e "Popote" viram provados, em audiência, os crimes de roubo, explosão e detenção de arma proibida, mas foram ilibados do crime de associação criminosa e alvo de um entendimento mais favorável para o crime de apropriação de duas carrinhas para executar o assalto.

O tribunal colectivo entendeu que a apropriação das duas carrinhas não configurava furto qualificado, mas furto de uso, pelo que, para cada um deles, recebeu penas parcelares de apenas três meses.

Foi entendimento dos juízes de que não ficou provada a associação criminosa, nem o nível de envolvimento diferenciado na preparação e execução dos crimes, pelo que optou por igual sanção, uma pena única de 12 anos para cada um, em cúmulo jurídico - ponderado entre a pena mais grave, de 8 anos de prisão, e a soma de todas as aplicadas, de 15 anos de prisão.

O tribunal entendeu, igualmente, que não foram provadas em audiência as acusações em relação ao português residente na zona de Ourém, indiciado pelo transporte dos operacionais na fuga para França, de lhes dar abrigo no dia do assalto e de esconder as armas e explosivos no sótão de uma capela da qual era membro da Comissão Fabriqueira (comissão financeira).

"Faltou o elemento material", justificou o juiz Paulo Correia, frisando que "não há dúvidas" de que era amigo de "Manú", que recolheu na garagem um Porsche envolvido no assalto, e que tinha acesso facilitado à capela.

No acórdão, o juiz realçou que todos os condenados têm antecedentes criminais, que foram utilizados "meios sofisticadíssimos" no assalto, com grande quantidade de armas e de explosivos, e que a sua execução provocou "grande alarme social".

Hoje, no final da audiência, o advogado de "Manú", Alexandre Barros, disse que iria analisar o acórdão e, "eventualmente, recorrer", embora tenha realçado que o tribunal "garantiu todos os elementos de defesa aos arguidos".

Pedro Nobre, defensor de um dos franceses, revelou que irá apresentar recurso da decisão, por entender que a pena "é exageradíssima" e que, em julgamento, "foi provada a acusação em base de presunções".

O assalto a uma carrinha de valores ao final da tarde de 19 de Dezembro de 2009, em Taveiro, Coimbra, rendeu-lhes 293.442,18 euros.

Na operação utilizaram explosivos para rebentar a blindagem do veículo de transporte de valores, que imobilizaram com recurso a duas viaturas de mercadorias furtadas em Cantanhede e em Vila Nova de Gaia.

Num armazém arrendado numa antiga fábrica cerâmica de Sandoeira, Ourém, foi apreendido um automóvel utilizado no assalto.

Meses depois, no sótão da capela de S. Romão de Sandoeira, foram encontradas armas utilizadas no assalto, explosivos, granadas, coletes anti bala, gorros e outros objectos.

Neste processo, a investigação não conseguiu identificar um outro indivíduo que aparece nas imagens de videovigilância de um centro comercial de Aveiro na companhia dos "operacionais" e que terá beneficiado da distribuição do produto do roubo.

Um telemóvel caído na zona do assalto, com contactos, ligações efectuadas e localizações dos equipamentos ao longo dos meses, foi determinante para esclarecer o caso.

 

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