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Correio da Manhã

Portugal

123 MIL ESPERAM OPERAÇÃO

Os 123.166 utentes identificados até 25 de Maio do corrente ano com processos a aguardar por uma intervenção cirúrgica vão ter os casos resolvidos dentro de dois anos, uma vez que o Governo vai acelerar o número de operações por dia com o recurso a unidades hospitalares privadas e sociais (Misericórdia).
25 de Julho de 2002 às 22:05
Esta garantia foi dada ontem em Évora pelo ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, durante a apresentação do balanço do Programa Especial de Combate às Listas de Espera Cirúrgicas (PECLEC).

Do número de utentes por região, o estudo revela que Lisboa e Vale do Tejo é a zona do País onde existem mais pessoas na referida lista, enquanto que o Algarve regista o menor número de doentes à espera de entrar nos Blocos Operatórios (BO).

Patologias

Ainda em relação a números, de todas as patologias identificadas, as operações a cataratas e hérnias são as que têm mais gente à espera a nível nacional. De salientar que em Lisboa e Vale do Tejo as operações de correcção de coluna e angina de peito são as que têm menos utentes à espera.

Com este levantamento, o ministério da Saúde criou uma base de dados nacional, envolvendo todos os doentes, todas as especialidades e todas as patologias, por hospital e por região.

Surpresa

Segundo o ministro, pela primeira vez foram abrangidos todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com produção nos BO e o levantamento do número de utentes em lista de espera foi efectuado nas 86 unidades de saúde pública com o referido serviço de cirurgia.

"Este elevado número de doentes surpreendeu-nos. No programa anterior (registava 90 mil utentes em lista de espera no dia 31 de Dezembro de 2001), apenas consideraram 11 patologias e não contaram com cirurgias à mama, tiróide, rins, bexiga, garganta, entre outras.

Neste programa foi feito um levantamento exaustivo em 68 patologias que nos mostra cidadãos em lista de espera desde 1990", sublinhou o ministro.

Para minimizar o elevado número da actual lista, Luís Filipe Pereira espera que sejam realizadas "50 mil cirurgias por ano", o que significa um aumento de duas operações/dia para o dobro ou triplo.

"Além do aumento da eficácia do SNS com uma gestão mais rigorosa e novos métodos de trabalho, vamos também recorrer a um concurso público para o sector privado e as adjudicações serão em finais de Setembro", disse o ministro.

Contudo, o serviço social "já garantiu" que tem capacidade para realizar nos seus serviços esse número, mas mesmo assim o Governo pretende que a maioria das intervenções seja feita no SNS.

Norte perde liderança

A evolução das listas de espera desde o último dia do ano passado até 25 de Maio de 2002, sofreu um aumento de 36,5 por cento (dos 90 mil para os 123 mil utentes). Em 31 de Dezembro de 2001, a região Norte liderava a mesma lista com 33.919 doentes e o Algarve tinha apenas 2.514 pessoas nessa situação.

Na liderança ficou agora a região de Lisboa, que sofreu um aumento de 43 por cento em apenas cinco meses.
De salientar ainda durante este período um aumento de 62,24 por cento do número de doentes na região Centro. No dia 25 do passado mês de Maio a lista apresentava os seguintes números: Lisboa e Vale do Tejo (42.796 utentes), Norte (39.465), Centro (32.505), Alentejo (4.605), Algarve (3.795).
Em média os utentes esperam por uma operação entre ano e meio a dois anos.
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