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Correio da Manhã

Portugal
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161 roubos nas linhas de Sintra e Cascais

No dia em que comboio foi apedrejado por gang, ‘CM’ revela números até Maio.
2 de Julho de 2010 às 00:30
161 roubos nas linhas de Sintra e Cascais
161 roubos nas linhas de Sintra e Cascais FOTO: Vítor Mota

A violência na Linha de Cascais, a par da Linha de Sintra, aumentou desde o início do Verão. Ontem à tarde, um gang com 30 elementos arremessou pedras contra um comboio junto à estação de Algés. Apenas mais um caso a juntar aos dez apedrejamentos registados oficialmente pela CP só naquela linha desde o início do ano. O quadro actual é 'alarmante', dizem utentes, revisores e até agentes de autoridade que prestam serviço nas linhas suburbanas de Lisboa. De acordo com o relatório mensal da CP, a que o CM teve acesso, num ano foram assaltadas 161 pessoas no interior dos comboios ou em estações. Outras 94 pessoas foram agredidas.

Luís Bravo, presidente do Sindicato dos Revisores, diz que os números não ilustram a realidade. 'Há uma discrepância grande entre os dados, porque a maior parte das pessoas faz queixa à PSP, uma vez que querem ver os agressores punidos, o que na realidade também não acontece.' Luís Bravo garante que, em média, uma pessoa é assaltada e agredida todos os dias nas Linhas de Sintra e Cascais.

'O pior é que isto aumenta no Verão', continua. De acordo com o relatório, em 2009, os meses em que houve mais apedrejamentos, roubos e agressões na Linha de Cascais foram Junho, Julho e Agosto, com 61 casos registados. De fora ficam as cifras negras.

Ontem, na estação de Algés, apesar de as carruagens seguirem com dezenas de passageiros, não se registaram feridos, mas algumas composições ficaram danificadas. De acordo com a PSP, 'nove jovens foram identificados e sete levados para a esquadra, não tendo, no entanto, ficado detidos'.

Este caso, recorde-se, ocorreu menos de 24 horas depois de três homens terem sido esfaqueados numa carruagem da mesma Linha. As vítimas foram transportadas em Oeiras e estão internadas no Hospital de S. Francisco Xavier. Dois casos que se juntam a muitos outros, depois do arrastão do passado fim-de-semana, em que várias pessoas foram assaltadas e agredidas e um militar levou três facadas ao resistir a um roubo na estação de Queluz-Belas.

SAIBA MAIS

PERIGO NAS FÉRIAS

De acordo com os dados da CP, é nos meses de férias escolares (Verão, Natal, Carnaval e Páscoa) que há mais casos de vandalismo, roubos e agressões.

18

utilizações indevidas do sinal de alarme só no mês de Maio deste ano. Seis portas foram obstruídas. Números mostram as situações por que os utentes têm de passar todos os dias.

99

composições foram grafitadas só na Linha de Sintra, durante o último ano, o que implica avultados custos para a CP.

CIFRAS NEGRAS

Os números oficiais ficam aquém da realidade. Muitas das pessoas vítimas de assaltos e de violência, por diversas razões, não chegam a apresentar queixa às autoridades.

POLÍCIAS PROTESTAM POR MAIS POLÍCIA

Ontem, numa manifestação levada a cabo pelo Sindicato dos Revisores, pela Comissão de Utentes da Linha de Sintra e pelo Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) na estação do Rossio, em Lisboa, falou-se de medo e insegurança nas linhas suburbanas da CP. 'Vemos com grande preocupação o agravamento dos roubos e agressões nos comboios e nas estações e, por isso, apelamos ao Ministério da Administração Interna (MAI) um reforço da presença policial, especialmente no Verão', disse Luís Bravo, presidente do Sindicato dos Revisores.

António Ramos, dirigente do SPP, é peremptório. 'Os comboios precisam de reforços policiais, mas, para isso, é preciso desviarem efectivos de uma área para outra. Mas, depois, tapa e destapa: tapa os pés, mas destapa a cabeça. No Comando Metropolitano de Lisboa há um défice de 2300 homens. E no Verão ainda é pior', disse António Ramos. Em Almada, os utentes do Metro Sul do Tejo (MST) queixam-se do mesmo: falta de segurança. E apelam a mais polícia nas carruagens e nas estações. fonte da GNR contactada pelo CM admitiu que 'há cerca de dois meses houve várias queixas de roubo e agressão, sobretudo feitas por estudantes universitários do Monte de Caparica'. As vítimas são sobretudo atacadas por gangs de jovens, com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos, que lançaram uma verdadeira onda de terror. Segundo a mesma fonte, o medo de represálias faz com que, na maior parte das vezes, não sejam apresentadas queixas.

ESQUADRAS DEVIAM FECHAR

O director nacional da PSP defende uma diminuição do número de esquadras, principalmente em Lisboa e no Porto, para haver uma melhor 'racionalização e rentabilização' de recursos. Na opinião do superintendente-chefe Oliveira Pereira, que foi entrevistado pela Lusa, deveria haver, por outro lado, junções de esquadras.

O director nacional da PSP admitiu também a possibilidade de as Forças Armadas cooperarem com as forças de segurança interna, possibilidade que tem sido defendida por alguns especialistas, mas apenas em casos excepcionais. Assegurou ainda que os crimes violentos e graves diminuíram 7,9% desde o início do ano.

NOTAS

MARGEM SUL: ROUBOS

No sábado passado, dois irmãos foram perseguidos e roubados dentro de uma carruagem do Metro Sul do Tejo, em Almada.

MULHER: AGREDIDA

Uma mulher foi agredida quando tentava salvar um rapaz de um grupo de cinco homens em Rio de Mouro, Sintra, em 20 de Junho.

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