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Ex-fuzileiro condenado a 18 anos de cadeia por matar vizinha em esplanada de Guimarães

Dois filhos da vítima mortal e a namorada de um deles também ficaram feridos.

20 de maio de 2020 às 15:36

Um ex-fuzileiro foi condenado esta quarta-feira a 18 anos de prisão por ter assassinado à facada uma vizinha, na esplanada de um café na freguesia de Fermentões, em Guimarães. Dois filhos da vítima mortal e a namorada de um deles também ficaram feridos.

José das Neves Ferreira, de 53 anos, que alegou ter agido por estar a ser gozado pelas vítimas, terá ainda de pagar indemnizações no valor total de cerca de 250 mil euros por danos patrimoniais e não patrimoniais. 

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Ex-fuzileiro condenado a 18 anos de cadeia por matar vizinha em esplanada de Guimarães

Foi condenado por um crime de homicídio simples, um crime de homicídio qualificado na forma tentada e dois crimes de ofensa à integridade física simples.

"Os 18 anos de prisão são a pena que a justiça humana pode aplicar, mas o senhor vai ter de viver com uma outra pena para toda a vida: a pena de ter destruído duas famílias, a sua e a da vítima", disse o juiz presidente do tribunal de Guimarães.

O caso remonta à noite de 20 de abril do ano passado, quando as vítimas estavam a tomar café na esplanada e uma delas começou a cantarolar uma música com o refrão "maluco, maluco, maluco". O homicida sentiu-se gozado e pegou num instrumento cortante, que não foi identificado, e saiu do café em direção à esplanada atacando as vítimas. Desferiu "vários golpes com força" no jovem que estava a cantar, confirmou o tribunal de Guimarães, sublinhando que foi nessa altura que Maria José Dias, de 46,foi atingida com vários golpes, quando se colocou à frente do filho, para que ele deixasse de ser esfaqueado pelo arguido. Acabou por ser atingida mortalmente. O filho sofreu ferimentos graves e correu risco de vida, tendo estado internado várias semanas.

Em tribunal, o arguido disse que era a terceira vez que tinha sido humilhado e gozado naquele dia e que, por isso, teve um acesso de raiva e de descontrolo emocional.

O coletivo de juízes sublinhou a "personalidade perturbada e perigosa" do arguido e a sua tendência para uma reação rápida e não planeada, "com risco de violência elevado", apresentando "sintomas de personalidade paranoide e que nos últimos anos vinha apresentando maior instabilidade emocional".

O tribunal sublinhou ainda o "discurso de desresponsabilização" que o arguido teve em tribunal e ao facto de não ter pedido desculpa aos familiares da mulher morta e às outras vítimas do crime.

 

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