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Correio da Manhã

Portugal
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18 meses por morte de criança (COM VÍDEO)

"Foi sem sequer, foi um acidente", disse ontem António ao CM, com as lágrimas nos olhos, minutos antes de ouvir a sentença que o condenou a ano e meio de cadeia com pena suspensa, pelo atropelamento mortal de Mariana, uma menina de 11 anos. O tribunal de Amarante considerou provado que o homem de 26 anos praticou um crime de homicídio por negligência grosseira. A família de Mariana não foi ontem ao Tribunal de Amarante ouvir a sentença.
28 de Abril de 2010 às 00:30
António, que matou menina na passadeira, em tribunal
António, que matou menina na passadeira, em tribunal FOTO: Nuno Fernandes Veiga

'Entendemos que a ameaça de pena de prisão efectiva é neste caso suficiente', disse a juíza depois de ler o acórdão. Em julgamento ficou provado que, na tarde de 15 de Fevereiro de 2008, António violou três regras elementares de segurança na condução, que resultou na causa da morte de Mariana. A menina atravessava a passadeira após sair do autocarro escolar que estava estacionado na faixa da direita. Foi colhida pelo carro que António conduzia, numa manobra de ultrapassagem ao autocarro, que é proibida pelo Código da Estrada. O tribunal deu ainda com o provado que o condutor tinha visibilidade suficiente para a passadeira e que, embora circulasse a cerca de 50 quilómetros por hora, devia ter reduzido a velocidade perante a aproximação visível de crianças.

António não cumpre pena de prisão efectiva porque o colectivo de juízes teve em conta a ausência de antecedentes criminais, o facto de António estar inserido socialmente, de ser o sustento da família e de ter colaborado com a justiça, assumindo todos os factos. Durante o julgamento pediu desculpa à família de Mariana. 'Ele ainda chora por causa disto', disse ao CM a mulher de António.

Recorde-se que, na altura, António, que trabalha em Andorra, estava em Portugal devido à morte do pai e vinha do funeral quando atropelou a pequena Mariana. Foi na mesma passadeira onde, dois anos antes, a avó da menina também morreu atropelada. O local da passadeira avançou entretanto cerca de 40 metros, para onde foi também mudada a paragem dos autocarros.

PORMENORES

CARTA DE CONDUÇÃO

O tribunal não considerou ser caso para condenar o homem à inibição de conduzir, uma sanção acessória que o Ministério Público tinha pedido.

INDEMNIZAÇÃO

O processo de indemnização civil à família de Mariana está a decorrer e ainda não foi decidida a verba a pedir ao condutor.

ANDORRA

António trabalha na construção civil em Andorra e é o sustento da família. A mulher e filho menor vivem em Baião.

FAMÍLIA EM SILÊNCIO

Os familiares de Mariana optaram por não comparecer ontem em tribunal. No início do julgamento, os pais da menina não conseguiram conter a dor e a revolta contra António.

SUSTO DE IR PRESO

António ouviu a juíza condená--lo a 18 meses de prisão, mas não percebeu de imediato que a pena seria suspensa. Durante alguns minutos esteve convencido de que seria preso.

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