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Pais de jovens colhidos por comboio na Maia vivem anos de angústia

Familiares das duas vítimas espanholas lamentam demora da Justiça portuguesa.

12 de março de 2018 às 08:59

Levamos mais de dois anos de angústia, sofrimento e ansiedade pela morte do nosso filho, à qual se junta a falta de informação, já que, após dois anos de investigação, ninguém foi capaz de nos dar um pouco de luz sobre o acidente". O lamento é de Francisco e Maria Teresa, pais de Enrique, um dos três jovens - dois espanhóis e um português, João Dias -, que morreram após serem colhidos por um comboio, quando pintavam outro a grafíti, a 7 de dezembro de 2015, na Maia. O caso continua em investigação.

"Despedes-te do teu filho um sábado de manhã porque vai passar uns dias com uns amigos e acordas de madrugada com a chamada de um amigo dele, dizendo que ele morreu. Quem pode aceitar isto?", questionam Enrique e Sylvia, os pais de Jaime, jovem de 20 anos, estudante de Engenharia, outra vítima mortal. "Dois anos é demasiado tempo para estarmos sem novidades", lamentam.

Com as três vítimas mortais estavam outros dois jovens, que sobreviveram e voltaram a Espanha. "Sabemos que, antes de fugir, tiraram a chave do carro do corpo do nosso filho e foram ao nosso carro", dizem ao CM. Os sobreviventes "deixaram a chave na polícia espanhola".

"A perda do Enrique destroçou-nos, deixando um irmão à beira da depressão e uns pais em sofrimento", referem Francisco e Maria Teresa.

Enrique festejava 18 anos

"O nosso filho foi ao Porto com amigos festejar 18 anos e, por uma brincadeira, pagou o preço mais alto que podia: com a vida", dizem os pais de Enrique.

Pais aguardam acusação

"Se no processo crime não houver acusação, avançaremos para o pedido de uma indemnização cível", diz Vasco Leal Cardoso, advogado das famílias das duas vítimas espanholas.

"Tenho tantas saudades tuas, meu príncipe"

Paula Gavina e Vítor Dias, pais de João Dias, a vítima mortal portuguesa do acidente, estão ainda muito abalados com a morte do jovem, que completaria 19 anos nove dias depois. Não quiseram prestar qualquer declaração ao CM. Nas redes sociais, vão deixando mensagens de dor. "Ainda não acredito. Isto é um sonho, um sonho muito mau. Tenho tantas saudades tuas, meu príncipe", escreve Vítor. Já Paula partilha fotografias de vários grafítis - os jovens estariam a grafitar um comboio quando foram colhidos.

"Nuvem impediu-nos de ver o comboio a toda a velocidade"

Um dos sobreviventes contou ao pai de Enrique o que aconteceu: "Estávamos a pintar um comboio parado quando um funcionário nos surpreendeu, descarregando o pó de um extintor sobre nós, criando uma nuvem que nos impediu de ver o comboio que vinha a toda a velocidade no sentido oposto. Eu e outro escapámos. O Enrique e o Jaime apoiaram-se no comboio parado, mas este começou a andar e, quando passou o outro, o ‘Kike’ e o Jaime foram ao chão, e não vimos o português que estava connosco". Terá sido projetado. O revisor continua com apoio psicológico.

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