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Correio da Manhã

Portugal
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3.º CICLO PERDE DISCIPLINAS

O ministro da Educação, David Justino, pretende mexer no 3.º ciclo do Ensino Básico, reforma que pode passar pela redução ou pelo reagrupamento de algumas disciplinas. David Justino, que manifestou esta intenção durante um colóquio subordinado ao tema 'A História numa Sociedade em Mudança', identifica o excesso de carga horária como uma das principais causas do insucesso escolar.
16 de Março de 2004 às 00:00
Os professores temem mais desemprego
Os professores temem mais desemprego FOTO: arquivo cm
Segundo o ministro, os alunos têm dificuldades em adaptar-se quando chegam ao 3.º ciclo porque "passam de 8 ou 9 professores para 13 ou 14".
A possibilidade de se reduzirem disciplinas é algo que a secretária- -geral da Federação Nacional de Educação (FNE), Manuela Teixeira, não quer nem ouvir falar.
"A redução de disciplinas tem sempre um impacto brutal sobre os docentes. Espero que o Governo não esteja a pensar numa economia financeira à custa do emprego dos professores".
Apesar da sua oposição frontal, Manuela Teixeira não deixa de admitir a possibilidade de uma reorganização curricular. Mas alerta para outro tipo de problemas: "Há acordos estabelecidos com as editoras, qualquer alteração tem de ser extremamente consensual".
ARRUMAÇÕES
Seja qual for a decisão, o ministro ainda não a deu a conhecer. E sobre o tema já falou mais do que uma vez. Que o diga, Helena Veríssimo, da Associação de Professores de História, que tem vindo a abordar esta temática com David Justino.
Em declarações ao CM, a docente refere que "nada foi ainda concretizado em relação ao 3.º ciclo". "Há áreas que o ministro sabe que estão bem definidas. O que poderá haver são novas arrumações no currículo", diz.
Uma expressão também usada pelo ministro da Educação durante o colóquio, quando se referiu especificamente à disciplina de História. Segundo o ministro, esta disciplina, que considera como uma das mais importantes para a formação dos alunos, passaria a ter a seguinte arrumação: História de Portugal, do 3.º ao 6.º ano; Portugal na Europa, no 7.º, 8.º e 9.º anos.
"Não há lógica na articulação de conteúdos desde o 1.º ao 12.º anos", disse o governante, referindo-se a algum excesso e confusão de matérias.
Tal deficiência levou o ministro a sugerir não só uma nova definição dos conteúdos, mas também uma alteração de práticas. Helena Veríssimo acrescentaria: "E um maior empenho do Governo na formação dos professores".
"É preciso formação para a reconversão" disse a docente frisando que a tal "arrumação" libertaria os professores para áreas transversais, como os trabalhos interdisciplinares, a investigação, as tutorias e todo um conjunto de tarefas para as quais os docentes são precisos".
"Mesmo que reagrupem as disciplinas, não há professores a mais", afirma subscrevendo as palavras de Manuela Teixeira nesta matéria.
ENSINO BÁSICO PASSA A SEIS ANOS
A proposta de Lei de Bases da Educação, que está em discussão na Assembleia da República, remete o actual 3.º ciclo do Ensino Básico para o Secundário. De acordo com o documento, que deverá ser aprovado até final do mês, o Básico passará a comportar apenas dois ciclos, correspondentes no essencial aos actuais, tendo a duração de seis anos. Segundo a proposta do Governo, a obrigatoriedade de frequência termina aos quinze anos, mas, na lógica de uma escolaridade obrigatória que termina aos dezoito anos, os jovens que não pretendam concluir o Ensino Básico após aquela idade devem ser obrigatoriamente encaminhados para programas de formação vocacional.
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