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Correio da Manhã

Portugal
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40% das mulheres com mais de 60 sofrem abusos

Quatro em cada dez mulheres portuguesas com mais de 60 anos dizem ter sido vítimas de algum tipo de abuso nos últimos 12 meses por alguém que lhes é próximo, concluiu um estudo divulgado esta quarta-feira pela Universidade do Minho.
24 de Novembro de 2010 às 14:18
Mulheres queixam-se principalmente do marido
Mulheres queixam-se principalmente do marido FOTO: Bruno Colaço

Amanhã assinala-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência  contra a Mulher, instituído desde 1999. Aproveitando a data, a Escola de  Psicologia da Universidade do Minho (UM) divulgou um estudo sobre os abusos a mulheres idosas que se insere no projecto europeu AVOW - Violence and Abuse Against Older Women.

Em Portugal, a pesquisa foi desenvolvida na UM pelo professor José Ferreira  Alves e pela investigadora Ana João Santos e teve como objectivo obter informação  mais precisa da dimensão e tipologia do abuso e negligência relatado pelas próprias mulheres idosas à escala nacional.

Este estudo envolveu uma amostra de 649 mulheres com 60 anos ou mais a viver em domicílios particulares e concluiu que quatro em cada dez dizem ter sido vítima de algum tipo de abuso nos últimos 12 meses.

Mais de metade das situações relatadas correspondem à incidência de um único tipo de abuso. O mais prevalente foi o emocional ou psicológico (32,9 por cento), seguido do abuso financeiro (16,5 por cento), da violação de direitos pessoais (12,8 por cento), da negligência (9,9 por cento), do abuso sexual (3,6 por cento) e do abuso físico (2,8 por cento).

Segundo os investigadores, o parceiro ou marido foi o perpetrador mais  referido nos abusos emocional, financeiro, sexual e de violação de direitos  pessoais. Já nos casos de negligência e abuso físico, "a filha" é a autora mais referida.

Do total de mulheres abusadas, só um terço reportou ou contou o incidente  mais sério que viveu e fê-lo sobretudo na sua rede social informal, ou seja, a um familiar ou amigo. Das que contactaram serviços, instituições ou organizações, a maioria reportou o caso a um profissional de saúde, seguido de um padre e de um assistente social ou profissional do apoio domiciliário. 

Só 1,4 por cento das vítimas recorreram à PSP ou à GNR. Aos investigadores, as mulheres reportaram consequências emocionais e psicológicas decorrentes da sua experiência, destacando a tensão, sentimentos de impotência, depressão e dificuldades em dormir ou pesadelos.

E, segundo o estudo, quanto mais severos foram os maus-tratos mais negativamente  foi percepcionada a qualidade de vida. As consequências mais apontadas à saúde da vítima sugerem danos psicofisiológicos imediatos ou a curto prazo.

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