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Correio da Manhã

Portugal
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4500 assistem às marchas

Já começou a segunda noite de marchas no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Os marchantes dos Mercados arrancou os primeiros aplausos da noite, poucos minutos após terminar o jogo de Portugal. Distribuíram laranjas e limões pelos mais de 4500 espectadores que estão a assistir ao desfile. Os 40 marchantes estão também a prestar sentida homenagem a Amália.
7 de Junho de 2009 às 01:10
4500 assistem às marchas
4500 assistem às marchas FOTO: Mariline Alves

Paulo Martins desfila na marcha dos Mercados há cinco anos. 'A nossa mais valia é alegria que se vive', garantiu o marchante.

Seguiu-se a marcha de Carnide, a primeira a desfilar das marchas a concurso. Sob o tema “Gentes de nossa Terra”, os 48 marchantes apostam na forte união para dar um verdadeiro espectáculo. “Somos um grupo muito unido, podemos ter pouca experiência – alguns marchantes só têm um/dois anos de marcha – mas temos muita animação”, disse ao CM Sara Antunes, porta estandarte de Carnide que participa nas marchas há já cinco anos.

Apostados em melhorar o 12º lugar conquistado o ano passado, os marchantes da Mouraria acreditam que este ano é que é. Telmo Reis, de 20 anos, não aceita outro resultado que não a vitória. 'Vamos para ganhar, Mouraria Mourisca realça o que nós somos: um bairro histórico com tradição', afirmou, convicto que a forte marcação pode surpreender.

De Campolide, um açoriano infiltrado estrea-se nestas andanças. Rui Roque, de 26 anos, está em Lisboa há um ano a estudar. ' Vim conhecer a cultura das marchas, estou a tirar o curso de pintor de automóveis', disse o 'estrangeiro' reconhecendo que não sabe 'nada sobre o teatro de revista'. Campolide ficou em 15º lugar em 2008 e este ano tem como tema 'Revista vai à marcha'.

Marinheiros, um submarino e muitas varinas marcharam no Atlântico com pompa e circunstância. Em jeito de parada militar, o Bairro Alto recordou os tempos em que marinheiros procuravam divertimento pelas ruas estreitas e escuras do característico bairro lisboeta. “ É a primeira vez que venho, juntei-me aos meus amigos e, claro, vamos ganhar”, disse Emanuel Lourenço de 17 anos.

Com o Cais das Colunas em ombros, a marcha de S.Vicente trouxe ao Atlântico as rameiras que faziam as delícias dos marinheiros que chegavam a Lisboa após a descoberta de novos mundos. Vera Marques desfila há 12 anos e continua com a mesma vontade com que desfilou pela primeira vez. “O gosto pelo bairro é cada vez maior”, diz ao CM. Entusiasmado pela companhia, o marujo Armando Silva de 21 anos não poupa elogios às belas alfacinhas: “As rameiras marcham todas. Estamos aqui pela diversão e pelo espectáculo”.

Garantem que são únicos e que até já estão a ser imitados por outras marchas. Com boa disposição, os marchantes da Madragoa apostam no vira descalço para conquistar o primeiro lugar. ' O nosso vira é único, os outros são cópias. Ninguém dança o vira como nós', diz Rui Monteiro. Aos 17 anos, Mariana Sam Payo desfila desde os quatro. As festas de Lisboa estão-lhe no sangue e garante que não perde nenhuma edição: 'A única vez que não vim, fartei-me de chorar. Não trocava isto por nada'.

A última marcha da noite entrou no Pavilhão Atlântico com a responsabilidade de defender o título. Marvila, uma claque de peso, brindou os presentes com uma colheita de luxo. 'Enquanto o Tejo tiver água, não falte o vinho em Marvila', foi o tema com que se propuseram repetir a vitória do ano passado. 'Damos tudo por tudo. Queremos manter o lugar no pódio, a rivalidade é muita e temos de nos aplicar', sublinhou Ana Cardoso de 24 anos, marchante há nove, garantindo que ninguém ficará indiferente à marcha de Marvila. Assim foi, as roupas azuis deram lugar à cor do vinho e um cacho de uvas gigante abriu-se para duas crianças se juntarem à festa. O público apanhado de surpresa não hesitou as palmas.

Ao final do segundo dia, o nível exibicional ficou bem alto. No terceiro e último dia desfilam Alto da Pina, Belém, Olivais, Bica, Graça, Castelo e Alcântara.

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