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Correio da Manhã

Portugal
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60 MIL JÁ PERDERAM A MEMÓRIA

Maria do Carmo Oliveira, 78 anos, sofre da doença de Alzheimer desde há três anos. Consegue alimentar-se sozinha, sem a ajuda de outra pessoa, o que muitos pacientes não conseguem fazer. Maria do Carmo é uma entre as cerca de 60 mil pessoas que, em Portugal, padecem desta patologia que, apesar do tratamento dos sintomas, ainda não tem cura e aos poucos lhes vai levando a memória de uma vida inteira.
22 de Setembro de 2003 às 00:00
Maria do Carmo teve ontem um dia diferente do habitual. Ela e outros nove utentes do Centro de Apoio Diurno e Domiciliário Prof. Carlos Garcia, da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA), tiveram um dia agradável no Zoológico de Lisboa.
À tarde estiveram na Baixa lisboeta, onde decorreram várias iniciativas inseridas no âmbito das celebrações do Dia Mundial de Alzheimer, que serviu para chamar a atenção dos problemas que afectam os doentes a nível mundial.
“Maria do Carmo participa nas actividades do centro, onde temos pessoas com vários graus de dependência”, refere ao CM Patrícia Paquete, terapeuta ocupacional e directora do centro, que tem a capacidade lotada e uma lista de espera de 20 pessoas. Oito doentes recebem apoio em casa.
“Por vezes os doentes chegam-nos em fase adiantada da doença porque o diagnóstico é difícil e não existem técnicos especializados para ajudar estes doentes”, diz Patrícia Paquete.
CÉREBRO AFECTADO
Esta doença degenerativa do cérebro foi descoberta pelo médico alemão Alois Alzheimer em 1906 que, ao fazer uma autópsia, descobriu no cérebro do morto lesões nunca vistas. Os neurónios apareciam atrofiados e cheios de placas estranhas e fibras retorcidas. Desde então esse tipo de degeneração nos neurónios ficou conhecido como placas senis.
Até hoje a doença de Alzheimer não tem causa conhecida e não tem cura. As investigações genéticas parecem deixar claro que, se a pessoa possui genes defeituosos, pode ter esta doença no futuro. Afecta geralmente pessoas a partir dos 65 anos. Os sintomas aparecem lentamente e num estádio inicial a pessoa parece confusa e esquecida. Não encontra palavras para se expressar convenientemente e pode deixar pensamentos inacabados. A doença afecta um por cento da população na faixa dos 65 anos e entre 17 a 25 milhões em todo o mundo. O primeiro sintoma é a perda da memória recente. A doença afecta ainda a linguagem, a capacidade cognitiva, laboral e social.
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