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Correio da Manhã

Portugal
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A 224 KM/H NAS CALMAS

O presidente da Associação Portuguesa das Escolas de Condução (APEC), Alcino Cruz, foi apanhado a conduzir em claro excesso de velocidade, 224 km/h, quando o máximo permitido é de 120 km/h, ao quilómetro 131 da Auto-Estrada 6, que liga Lisboa e Elvas, a dez quilómetros da fronteira, e dirigia-se a Madrid. Ao CM, o instrutor afirmou: “Não estou preocupado com a situação.”
18 de Maio de 2003 às 00:15
Alcino Cruz reconhece que conduziu em excesso de velocidade, mas em segurança, no troço final da A6
Alcino Cruz reconhece que conduziu em excesso de velocidade, mas em segurança, no troço final da A6 FOTO: Arquivo CM
O caso, passado em Outubro de 2002 e só agora divulgado, levou a que Alcino Cruz, alvo de um auto de contra-ordenação, recorresse para o Governo Civil de Beja que, no entanto, indeferiu o pedido de impugnação. O processo, por iniciativa do visado, seguiu para tribunal.
A multa a pagar poderá variar entre os 300 e os 3000 euros, contribuindo para o montante a aplicar a situação económica do infractor.
Alcino Cruz admite que conduzia a velocidade excessiva, mas alega: “A natureza da via e as condições de segurança do veículo, um Mercedes 270, não eram perigosas nem para mim nem para a minha mulher, assim como para os outros condutores, que não existiam, porque a estrada, àquela hora, entre as 14h00 e 15h00, estava deserta.”
O igualmente dono da Escola de Condução Moderna, em Lisboa, garante que o excesso de velocidade é a única infracção que comete ao volante, “por não pactuar com uma norma antiquada e desadequada à realidade, no início do século XXI”.
APONTAR DEDO À ‘INCOERÊNCIA’
Alcino Cruz está consciente da infracção que cometeu em Outubro de 2002, na A6, ao conduzir a 224 km/h e não nega que tenha protagonizado situação idêntica posteriormente.
Apesar de ser um homem com responsabilidades no sector da condução, Alcino Cruz, que gere o maior Centro de Exames de Condução do País e é dono da Escola de Condução Moderna, reclama contra “a incoerência daqueles que agem exclusivamente tendo em vista a caça à multa”.
“Conduzir no Bairro das Furnas ou no Bairro Alto a 50 km/h é perigoso para quem o faz e para os outros cidadãos, peões ou condutores que por ali circulem, mas fazê-lo na Avenida Lusíada, entre o Hospital de Santa Maria e Benfica, não o é certamente.”
Contudo, nesta última “é usual passar multas a quem conduz a 60 ou 70 km/h quando o permitido é 80 km/h”, acrescentando: “Daqui se percebe a forma de agir de quem tem por missão fiscalizar”.
Alcino Cruz prefere criticar o excesso de álcool, a sinalização perigosa e os exames de condução desadequados.
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