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Correio da Manhã

Portugal
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A arder com 140 mil

A arder com Um grupo de 37 proprietários de pinhais de Travanca do Mondego, em Penacova, espera há um ano pelo pagamento de indemnizações pelos prejuízos causados por um fogo, que dizem ter sido provocado pelo avião ‘Beriev’.140 mil
18 de Junho de 2007 às 00:00
São 37 os proprietários lesados pelo fogo que deflagrou em Travanca do Mondego, Penacova, e devastou 40 hectares de floresta
São 37 os proprietários lesados pelo fogo que deflagrou em Travanca do Mondego, Penacova, e devastou 40 hectares de floresta FOTO: Deus Amaral
O fogo deflagrou pelas 15h00 do dia 6 de Julho de 2006 na mesma altura em que o avião russo ‘Beriev’, ao fazer a recolha de água na barragem da Aguieira, colidiu com a copa de alguns eucaliptos, sofrendo danos.
Segundo disseram na altura testemunhas oculares, o avião libertou uma matéria que fez despoletar as chamas numa zona de pinhal e eucaliptal, criando “um lençol de fogo com 50 metros de largura”. Para os habitantes não restam dúvidas de que foi o avião que provocou o fogo.
No entanto, os técnicos do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), concluíram que não foram encontradas “evidências que permitam associar as duas ocorrências (o acidente e o fogo) e sustentar tal nexo de causalidade” e que terá sido uma “coincidência”. Concluíram ainda que, o avião não descarregou combustível e os ramos engolidos pelos motores saíram em cinza.
De acordo com os proprietários dos terrenos afectados, António Costa, na altura ministro da Administração Interna, assumiu perante a comunicação social que tinha sido o avião a causar o incêndio, que lavrou 40 hectares durante três dias, afectando 37 proprietários e causando um prejuízo calculado em 140 mil euros.
Armando Rodrigues, um dos lesados, está indignado, pois “em vez de ganhar perto de 30 mil euros com a madeira verde”, vendeu-a por 500 euros “e muita ainda está aí pois ninguém a quer”.
Na altura foi feita uma petição através da Junta de Freguesia, com os pedidos de indemnização ao Ministério da Administração Interna.
Contactado ontem pelo CM, um porta-voz do Ministério da Administração Interna (MAI), disse que o caso “se encontra em análise e vai ser reencaminhado para a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), por estar directamente envolvido no assunto”. As afirmações de António Costa, ministro na altura do acidente, apontavam para “erro humano”, mas segundo o mesmo porta-voz do MAI, “nada comprova que se tivesse falado do pagamento de indemnizações aos lesados”.
Até ao fecho da edição, não foi possível obter esclarecimentos da ANPC sobre o assunto.
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