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Correio da Manhã

Portugal
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A culpa é da bebida

"É tudo por culpa do álcool. Depois de beber perdeu a cabeça e já não sabia o que fazia.” Esta é a explicação encontrada pela avó paterna do menino que, segunda-feira, foi violentamente espancado pelo pai, em Moure, no concelho de Felgueiras.
8 de Dezembro de 2007 às 00:00
A criança, com apenas três anos, foi suturada com 17 pontos na cabeça e continuava ontem à guarda do Hospital de S. Gonçalo, em Amarante – onde se espera uma decisão das autoridades para saber quem vai ficar com a custódia do menino.
Os avós são claros na explicação daquilo que se passou e confirmam que o menino foi espancado pelo pai, já embriagado, depois de uma discussão fútil que envolvia a actual companheira.
“O meu neto tinha partido uma lapiseira e a companheira do meu filho começou a gritar com ele. Foi aí que começou a confusão”, explicou ao CM João António Teixeira, o avô da criança.
Já desde há uns tempos que o menino preferia dormir com os avós em vez de partilhar a cama do pai, instalada num anexo sem condições, o que levou os avós a suspeitarem de violência.
“A criança já tinha medo do pai. Mas ele, apesar de beber, é e será sempre o meu filho. Não é um animal e não vou abandoná-lo, nem pô-lo fora de casa”, adiantou a avó do menino, Isabel Teixeira.
Já o avô não perdoa o próprio filho por ter espancando o neto: “nunca mais vou desculpar--lhe, nem na hora na morte”, disse João António Teixeira. Aliás, também por causa da bebida, os dois idosos já foram várias vezes vítimas da violência do filho, garantem.
O homem de 30 anos, saiu ontem de manhã de casa dos pais, algumas horas antes dos serviços sociais, acompanhados pela GNR, terem entregue aos avós uma notificação para comparecerem no Tribunal de Família e Menores de Felgueiras na próxima quarta-feira.
Os avós deslocaram-se ontem ao hospital de Amarante para tentar ver a criança mas a visita foi-lhes negada.
“Eu queria tanto ver se ele já está bem mas não foi possível. Pelo menos deixámos alguma roupa para ele vestir”, explicou ainda a avó paterna da criança.
O CM sabe que a mãe, residente em Paredes, esteve ontem na unidade hospitalar para devolver um ambiente de calmo ao menino.
PORMENORES
AVÔ TRAVA PANCADA
Para parar a fúria do pai, que começou por causa de uma lapiseira partida, o avô teve de segurar no próprio filho e pôr-se à frente da criança, evitando males maiores. A actual companheira do pai não admitia as brincadeiras do menino.
VIOLÊNCIA CONHECIDA
Quando estava embriagado, o homem atirava-se com violência aos próprios pais. Nos piores dias, punha os idosos fora de casa, obrigando-os a procurar dormida em casa de vizinhos, que já conheciam a sua personalidade complicada.
PAIS SEPARADOS
A mãe da criança separou-se do pai por causa do álcool. Na altura da separação, as autoridades optaram por entregar a custódia do menino aos avós paternos. O homem é pai de outra criança, de uma relação anterior, que vive com a mãe no concelho de Felgueiras.
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