Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
8

“A devolução de uma criança é desumano”

José Carlos Garrucho, Psicólogo de família sobre o número de crianças devolvidas em 2010.
17 de Outubro de 2011 às 01:00
“A devolução de uma criança é desumano”
“A devolução de uma criança é desumano”

Correio da Manhã - O que pode ser melhorado para que as crianças em situação de pré--adopção não sejam devolvidas às instituições de acolhimento?

José Carlos Garrucho - A adopção deve ser célere, mas deve ter fases e tempos próprios que devem ser respeitados e isso não acontece. Há um processo de aproximação para que as pessoas percebam se é o projecto que querem, antes que sejam criados vínculos emocionais. A devolução, para as crianças, é o último abandono.

- Ainda assim, foram registados doze casos de devolução em 2009, o que significa que há ainda muito a melhorar.

- Um caso seria dramático. Doze é uma catástrofe. É preciso ter em atenção que se trata de crianças que, de alguma forma, já foram vítimas de abandono e de negligência.

- Que respostas deveriam ser criadas para minimizar o impacto da rejeição?

- Mesmo que não seja possível firmar a adopção, tem de haver uma situação de suporte familiar melhor do que as instituições clássicas. A devolução de uma criança é desumano, é preciso que seja devidamente justificado. O que nos leva a afirmar que é necessário mais trabalho com as famílias que tencionam adoptar uma criança.

- Como se explica a uma criança que a família que a ia adoptar afinal já não a quer?

- É muito difícil fazê-lo. É uma verdadeira tragédia, que tem de ser explicada com muito cuidado. Para estas crianças, este é um episódio brutal, um último abandono que pode bloquear o seu desenvolvimento emocional e social. Ficará sempre uma ferida que o lembrará que foi rejeitado, o que poderá levar a uma maior dificuldade a iniciar um processo de aproximação com o outro.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)