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Correio da Manhã

Portugal
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À ESPERA DO PALÁCIO

As crianças da freguesia de Marvila, em Lisboa, idealizaram o futuro Centro Infantil da Bela Vista a instalar nos edifícios do velho palácio situado a sul do parque com o mesmo nome, que se encontram degradados à espera de recuperação.
6 de Janeiro de 2003 às 00:00
O projecto está concebido e, segundo o Correio da Manhã apurou junto do presidente da Junta de Marvila, António Pereira, "já existe uma verba inicial de 250 mil euros, inscrita no orçamento da autarquia deste ano para o arranque das obras" e só falta começar os trabalhos.

Pela primeira vez no País, um espaço infantil dedicado aos mais jovens será implantado depois de terem sido ouvidas as crianças da comunidade, técnicos especializados e arquitectos paisagistas que tentaram interpretar aquilo que melhor se adapta aos interesses das crianças.

Tudo começou no ano passado, depois de a Junta marvilense ter lançado um programa denominado ‘Lisboa Capital do Nada’, onde, a partir do zero, se procurou a abertura de novos caminhos para a freguesia, através da recolha de ideias.

O espaço em causa, a necessitar de obras profundas, é uma construção dos séculos XVII e XVIII, situada no alto de um recinto verde com mais de 20 mil metros quadrados, onde em tempos existiu uma ermida dedicada a Nossa Senhora das Mercês. No ano transacto, mais de 120 miúdos no decorrer de uma acção de férias praia-campo, organizada pela Junta, "estiveram no Parque da Bela Vista, visitaram o espaço, e deram ideias sobre aquilo que gostariam de ver instalado no local", contou o autarca.

No primeiro dia foram recolhidas as opiniões e, durante o segundo técnicos e políticos locais projectaram esses princípios naquilo que poderá ser a prática, no decorrer da acção de reabilitação.

Entre os especialistas colaborou um convidado especial, o arquitecto paisagista norte-americano da Universidade de Carolina do Sul, conhecido pelos seus trabalhos na concepção e adaptação de espaços naturais para crianças e jovens.

Discutido o esboço de projecto de adaptação dos edifícios degradados, coordenado pelo arquitecto Pedro Homem de Gouveia, assessor do pelouro da Acção Social da Câmara ligado ao anterior executivo, ficou decidido que os dois principais pólos a instalar são um Centro de Recursos para a Recuperação de Saúde Mental Infantil e um centro de lazer também para os mais jovens.

António Pereira, responsável da Junta, considera que, "a verba disponibilizada é insuficiente, sendo necessários um milhão e 700 mil euros”, acrescentando que isso o leva “a pensar não ter sido dada a prioridade” desejável ao projecto, estranhando ter sido nomeado um director para o trabalho e o mesmo "estar parado”.

BRINCAR COM A ÁGUA E O FOGO

Os 6500 alunos das escolas de Marvila escolheram dois elementos essenciais para integrar o futuro centro infantil do Parque da Bela Vista: a água e o fogo.

Daí que o presidente da Junta, António Pereira, admita a necessidade de ter em permanência alguém que faça o acompanhamento das crianças nas suas brincadeiras com aqueles dois elementos.

No equipamento a instalar, o anseio dos mais jovens vai para a existência de uma área com escorregas e baloiços e a recuperação de uma nora onde ‘nascerá’ um caminho de água até ao antigo tanque usado pela burguesia, que ali esteve instalada, para a lavagem de roupa servindo também para banhos de lazer, segundo relatos da época.

Quanto à criação de uma zona de fogo, há intenção de ter "um espaço de magia e um conjunto de actividades didácticas, à imagem daquilo que já se faz em hortas pedagógicas já existentes, como acender lareiras e fornos a lenha". Outra estrutura a instalar será uma biblioteca.
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