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Correio da Manhã

Portugal
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“A IURD levou as minhas netas”

Avó perdeu o rasto de duas gémeas acolhidas em lar.
Débora Carvalho 14 de Dezembro de 2017 às 01:30
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Maria Odete Rocha,   avó paterna, procura as netas  portuguesas há cerca de 20 anos
Passaram vinte anos, mas Maria Odete Rocha não esquece as netas. O escândalo da alegada rede de adoções na IURD fê-la reviver o pesadelo, recordar que só viu as gémeas Cristela e Daniela Reis uma única vez quando tinham um ano de idade.

"A IURD levou as minhas netas. A primeira vez que fui ao lar correram comigo. Não me deixavam ver as meninas e fui atendida pela janela", desabafa ao CM a antiga funcionária pública, com 70 anos.

As crianças foram acolhidas no lar da IURD na avenida Gago Coutinho. A mãe não tinha condições para criá-las, e o pai, militar em Angola, pediu à sua mãe que fosse a Portugal buscar as netas. "Fizeram-me alugar uma casa, montei um quarto para elas, o tribunal deu-me a guarda e não me entregaram a minhas netas", recorda, dizendo que nessa altura as crianças já tinham sido acolhidas por um casal.

Durante mais de três anos, Maria Odete tentou recuperar as crianças. O Tribunal de Menores de Lisboa deu-lhe a guarda e a Relação de Lisboa confirmou a decisão em 2000. Mas as crianças nunca foram confiadas à guarda e cuidados da avó paterna.

Desgastada com toda a situação e com poucos recursos financeiros para continuar a agir judicialmente, Maria Odete regressou a Luanda. Foi aí que soube que o Supremo revogava a guarda das menores, tanto mais que já não se encontrava no País.

"Fui eu que registei as meninas. Cristela Daniela e Daniela Cristela, hoje com 21 anos. Na minha mente uma chama-se Cris e outra Dani. Não quero morrer sem as ver". A reformada é clara: "Não quero tirá-las da família. São maiores. Só quero saber que estão bem".

Pai das meninas pediu ajuda à mãe  
Patrice Rocha já estava separado da mãe das gémeas quando elas nasceram. O pai estava a prestar serviço militar em Angola quando soube que as filhas tinham sido retiradas à mãe, tendo pedido à avó que se deslocasse a Portugal.

Também a mãe das meninas assinou uma procuração a dar poderes a Maria Odete.

Relação confirma guarda das gémeas à avó paterna 
O Tribunal da Relação de Lisboa decidiu, em 2000, que as gémeas, Cristela e Daniela, teriam de ser entregues à avó Maria Odete.

O processo teria de ocorrer de forma gradual, uma vez que as meninas já residiam com um família, em Vila Nova de Gaia. O tribunal permitia que o casal visitasse as crianças.

Processos judiciais para quem acusar igreja de ilegalidades 
O Ministério Público abriu um inquérito sobre uma suposta rede de adoção ilegal de crianças portuguesas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus.

A IURD desmente todas as acusações e garante que vai avançar com processos judiciais por difamação agravada.

"Gostava de saber o que é que aconteceu" 
"Infelizmente, nunca conheci as minhas irmãs, mas gostava de saber o que é que aconteceu. Ninguém desaparece sem deixar rasto". As palavras são de Sandra Rocha, irmã das gémeas Cristela e Daniela por parte do pai.

A estudante, de 20 anos, ficou chocada com a polémica das adoções de bispos e pastores da Igreja Universal do Reino de Deus. Há muitos anos que a família tenta ganhar coragem para denunciar o caso publicamente. "Desde pequena que acompanho a minha avó na busca pela Cristela e pela Daniela. Não é justo uma família, que tem condições económicas e de habitação, ficar longe dos filhos e netos", conta ao CM Sandra.

Ao longo dos anos, a família foi recebendo pistas sobre o paradeiro das gémeas, quase todas apontavam para o Norte do País. "Um tio, que vive no Porto, chegou a procurá-las durante dias, mas sem sucesso".

O caso de Cristela e Daniela é apenas um de muitos que já foram conhecidos na última semana, no âmbito das investigações à IURD.

PORMENORES 
Nascimento em 1996
Cristela e Daniela Reis nasceram no dia 24 de julho de 1996 e são naturais da freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, tal como indica a certidão de nascimento.

Avó paterno na Sonangol
O avó paterno de Cristela e Daniela era, à data, agente oficial da sociedade Sonangol, exercendo a sua atividade na revenda e distribuição de produtos petrolíferos daquela empresa.

Pai defende condições
"Tenho condições económicas e de habitação para dar uma vida equilibrada e saudável às minhas filhas. Tenho família, tias, primos e mãe", escreveu o pai das gémeas ao juiz do Tribunal de Menores de Lisboa.

Visita no lar
Maria Odete contou que no dia em que apresentou o ofício do tribunal para ver as netas no lar, elas já não se encontravam ali.

RTP não a ouviu
Maria Odete correu ‘Ceca e Meca’. Até foi à RTP, em 1998, denunciar o ‘roubo’ da IURD. Ninguém lhe deu ouvidos.
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