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A MODA DOS NOIVOS EM FUGA

Viver junto raramente implica ter o casamento por objectivo. A conclusão é de uma equipa de investigadores norte-americanos da Universidade de Ohio, liderada pela cientista Sharon Strassman.
9 de Agosto de 2004 às 00:00
Neste trabalho, publicado recentemente pelo jornal ‘Casamento e Família’, a equipa de sociólogos observou que “o facto de as pessoas viverem juntas resulta na maior parte das vezes de dificuldades financeiras, conveniência pela vontade de partilharem o mesmo espaço, mas raramente nos dois anos iniciais de vida em comum o casal discute seriamente a possibilidade de matrimónio”.
“Hoje, os adultos jovens encontram poucas razões para justificarem a sua razão de coabitar devido à existência de uma intenção de virem a casar”, esclareceu Sharon Strassman. Perante a inexistência do objectivo de casarem, a socióloga defende que a maior parte das uniões experimentais resultam de situações que acontecem subitamente na vida dos namorados como, por exemplo, “a perda de emprego de um dos jovens, o que o leva a viver na casa do seu companheiro”.
Os investigadores concluíram que apenas um terço dos casais inquiridos discutem o tema do casamento nos dois primeiros anos em que vivem juntos. Por outro lado, “em alguns dos casos os inquiridos responderam que viverem juntos tem vantagens sobre o casamento, nomeadamente dá uma maior liberdade”, sublinhou Sharon Strassman.
TRÊS TIPOS DE CASAIS
'ACELERADOS'
No inquérito de Ohio foram ouvidos 25 casais. Tendo sido detectados três grupos. O primeiro, os ‘acelerados’ caracteriza-se por uma rápida transição, em média inferior a seis meses, entre o envolvimento romântico e a opção de viverem juntos.
'LENTOS'
Neste grupo, o processo desenvolve-se com maior lentidão. Pelo que a decisão de viverem juntos surge mais tarde que no primeiro grupo.
'ATRASADOS'
São necessários um a dois anos para a união. A maioria já teve uma relação anterior.
"EVOLUÇÃO E NÃO CRISE" - JOSÉ PACHECO, PSICÓLOGO CLÍNICO
Correio da Manhã – Considera que os dados deste estudo revelam uma crise no casamento?
José Pacheco – Não, o que existe é uma evolução do modelo de casamento, tal como antigamente o casamento era decidido pelos pais e hoje não o é.
O que distingue uma união de facto de uma união experimental?
As principais diferenças surgem no compromisso e no tempo. Uma união de facto pressupõe uma relação mais duradoura. Por outro lado, na experimental o estado de espírito dominante é o de uma sensação experimental. A ideia de liberdade é de alguma forma ilusória.
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