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Correio da Manhã

Portugal
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A noite está perigosa

O presidente da Associação Nacional de Discotecas (AND) defendeu ontem a criação de um programa de segurança semelhante ao ‘Escola Segura’. O objectivo seria, segundo Francisco Tadeu, “reforçar a entreajuda entre os empresários e as autoridades policiais”para tornar as noites menos perigosas.
2 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Francisco Tadeu falou aos jornalistas durante o I Fórum ‘Noite Segura’ em Lisboa, que ontem reuniu, num hotel da capital, empresários, políticos, comandantes policiais e frequentadores da noite lisboeta.
O empresário apontou a “constante falta de operacionais da PSP nas imediações dos estabelecimentos de diversão nocturna” e criticou abertamente a legislação que regula a actividade destes locais.
“Foi aprovada uma lei de segurança privada que dita regras e condições para o interior dos estabelecimentos de diversão nocturna. Há a obrigatoriedade de colocação de videovigilância, detectores de metais, e vigilantes devidamente credenciados. Mas esqueceram-se da via pública”, considerou Francisco Tadeu.
Na prática, acrescentou o empresário, quando existem desacatos, os “agentes da PSP demoram sempre muito a chegar”.
OUTRA 'ESCOLA SEGURA'
Francisco Tadeu foi buscar ao ensino, um “exemplo de sucesso a seguir”.
“Se houvesse um serviço de entreajuda entre os proprietários de discotecas e agentes da autoridade, deixariam de existir muitos problemas. Sugerimos, por isso, algo semelhante ao programa ‘Escola Segura’, que a PSP e a GNR levam a cabo junto aos estabelecimentos de ensino”.
Francisco Tadeu valorizou a “função pedagógica” deste novo programa. “Seria muito importante ver, dentro do mais curto espaço de tempo, agentes da autoridade a vigiar, com a maior regularidade possível, as zonas de diversão nocturna. Seria fundamental para empresários e clientes sentir a presença, constante, das forças de Polícia, com o objectivoto de lhes dar segurança”, disse o responsável máximo da Associação Nacional de Discotecas.
MAIS SEGURANÇA PRIVADA
Em resposta ao pedido da Associação Nacional de Discotecas, que defendeu a urgência de mais policiamento junto aos locais de diversão, o ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, disse que “a PSP não pode estar permanentemente junto às discotecas”.
“A segurança privada, devidamente licenciada, está perfeitamente equipada para lidar com os problemas. As autoridades policiais só devem intervir quando, na presença de problemas, forem chamadas”, acrescentou o ministro.
Confrontado com esta questão, o Comandante Metropolitano de Lisboa da PSP afirmou que já existe um programa denominado ‘Comércio Seguro’. “Pode ser adaptado para os estabelecimentos nocturnos”, disse o superintendente Oliveira Pereira.
PROBLEMAS NA NOITE
LUANDA
A madrugada de 16 de Abril de 2000 já ia alta quando as portas da discoteca Luanda, em Lisboa, foram trancadas e embalagens de gás-pimenta foram lançadas para o interior. Sete das mil pessoas que ali se encontravam morreram espezinhadas.
KREMLIN
António Nzing, um angolano de 24 anos, diz que foi atingindo a tiro no interior da discoteca Kremlin, na Avenida 24 de Julho, em Lisboa. A agressão, segundo a vítima, terá ocorrido na madrugada de 25 de Fevereiro do ano passado. A gerência da discoteca garante que o tiro não foi disparado no interior do estabelecimento, mas na rua.
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