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Correio da Manhã

Portugal
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A VIDA DELA FICOU EM RISCO

“Estou bastante arrependido por ter posto a vida da pequena em risco. Bebi uns copos e fiz esta loucura porque tenho a cabeça cheia de problemas.” José Costa, 34 anos, tenta agora justificar os actos que levaram a que anteontem fosse detido em Montes Velhos, Aljustrel, por conduzir alcoolizado em contramão e tentar atropelar e agredir com uma faca os militares da GNR.
17 de Julho de 2003 às 00:41
O homem desrespeitou uma ordem de paragem da patrulha da GNR e fugiu durante mais de 20 minutos a alta velocidade pelas ruas estreitas da aldeia na companhia da filha de4 anos, que, como o próprio admitiu ao CM, “ia sentada no banco da frente, sem cinto de segurança e debruçada na janela”, pensando, com isso “que estava a ser um herói”.
Por várias vezes, este homem, desempregado e com um historial de 12 anos de consumo de drogas duras, fez “razias às paredes e muitas delas do lado onde ia a menor com a cabeça de fora”, assegurou um dos militares que o perseguiram, sublinhando ainda que foi necessário “abrandar para que nada de mal acontecesse, até porque com uma travagem brusca a criança ficaria colada ao vidro da frente”.
O pai da menina, entre lágrimas, concordou que “podia ter acontecido o pior”, mas , tal como o fez ontem no Tribunal de Ferreira do Alentejo – de onde saiu em liberdade mediante termo de identidade e residência –, avançou com explicações que, julga, podem servir de atenuantes para aqueles actos: “Além de estar separado da minha mulher e de ver a miúda poucas vezes, perdi o meu pai, o meu irmão tem problemas, a minha mãe está quase cega e a pessoa para quem andei a trabalhar não me paga.”
Uma ‘brincadeira’
José Costa advertiu que poderá “voltar a fazer uma loucura” e salientou que está a ficar “desorientado”, pois a sua situação económica está próxima da “miséria extrema”.
O indivíduo referiu que esteve duas noites sem dormir, após o que bebeu algumas cervejas e uns copos de vinho, para “esquecer” um pouco os problemas da vida. Mas antes, tinha ido buscar a sua filha a Ferreira do Alentejo, onde reside com a mãe.
Após sair do café em Montes Velhos, pegou no carro e começou a circular pela Avenida 25 de Abril em contramão. Ao avistar a GNR encetou a fuga e, garantiu, a criança pediu-lhe para acelerar, pensando tratar-se de brincadeira. “Quando me prenderam começou a chorar.”
MULHER COM BEBÉ AO COLO
O caso de Aljustrel traz à memória outro ocorrido há dois meses perto de Setúbal, em que uma mulher conduzia em contramão com um bebé de um ano ao colo e uma taxa de álcool no sangue de 1,7 g/l, considerada crime.
A infractora, de 37 anos, quase embatia com o seu Subaru no veículo de uma patrulha da Brigada de Trânsito da GNR, surpreendida por uns faróis que prenunciavam uma rota de colisão frontal. Aconteceu às 00h40 do passado dia 20 de Maio, a um quilómetro das portagens do Pinhal Novo da A12, auto-estrada que liga Lisboa a Setúbal pela Ponte Vasco da Gama. “O carro não vinha com especial velocidade, mas foi preciso fazer um esforço para evitar o embate”, indicou, na altura, ao CM fonte da BT-GNR.
A viatura militar inverteu o sentido da marcha para perseguir o Subaru, que só parou perante o fecho das cabinas que havia sido ordenado pela autoridade. Foi então que se percebeu que no carro seguia uma mulher, visivelmente perturbada e com álcool a mais, que levava um bebé ao colo.
O procurador adjunto do Tribunal de Setúbal optou por enviar a infractora em liberdade, com termo de identidade e residência.
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