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Correio da Manhã

Portugal
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Abatido com seis tiros por rivais

Berto era o responsável pela segurança da discoteca Number One, no centro do Porto. ‘Gaiato’ era também segurança, mas na discoteca El Sonero, noutra zona da cidade. A 7 de Julho do ano passado, ‘Gaiato’, na companhia de um amigo, agrediu ‘Nando’, cliente de ‘Berto’, e recusou pedir-lhe desculpas.
15 de Outubro de 2008 às 21:00
Timóteo, libertado pelo juiz do TIC do Porto, foi agora acusado do homicídio de Nuno Gaiato
Timóteo, libertado pelo juiz do TIC do Porto, foi agora acusado do homicídio de Nuno Gaiato FOTO: José Rebelo

Foi assim que começaram os ajustes de contas na noite do Porto, que resultaram em quatro mortes e em vários feridos. A primeira acusação do Ministério Público, no processo que ficou conhecido como ‘Noite Branca’, descreve a onda de violência na Invicta como um cenário de ajuste de contas para os seguranças conseguirem o controlo da noite.

‘Berto’ marcou uma emboscada para matar ‘Gaiato’, cinco dias depois da agressão na Number One; Um mês e meio mais tarde, os amigos de ‘Gaiato’– pertencentes ao gang da Ribeira – foram ao Chic para matar ‘Berto’.Não conseguiram, acertaram em Aurélio Palha e acabaram depois por assassinar Ilídio Correia que, com a morte do empresário da noite, assumiu protagonismo no mundo da segurança.

Nos últimos dias de Novembro, ‘Berto’ foi abatido. Assassinado com tiros de metralhadora, num crime cujos contornos estão ainda por esclarecer.

Os magistrados, no despacho que o CM consultou, definem ‘Berto’ e ‘Gaiato’ como conflituosos, prontos para a violência, e contam que o primeiro se dirigiu com os amigos Hugo, Timóteo e Vasco ao El Sonero já com o objectivo de matar ‘Gaiato’. Todos estavam armados, incluindo a vítima, e enquanto Vasco e Timóteo ficaram na porta a controlar os movimentos, ‘Berto’ e Hugo  encurralaram ‘Gaiato’ na cozinha. Ficaram do lado de fora da divisão e dispararam. ‘Gaiato’ foi atingido com seis disparos – o último fatal, na cabeça, terá sido feito por Hugo – enquanto disparava a sua pistola de 9 milímetros. Foi menos rápido e só acertou em Hugo na perna.

AMIGOS SEGURANÇAS AMEAÇADOS

Quando chegaram ao El Sonero, os suspeitos ainda foram travados por outro segurança. Diz a Acusação que David Kamonda se pôs à frente de Hugo e lhe gritou. "Ó Hugo, tu não vais entrar". Hugo mostrou-lhe a pistola 7,65 milímetros e garantiu-lhe que disparava se o tentassem impedir. David Kamonda acabou por franquear a entrada, tal como outros dois seguranças que também se encontravam no estabelecimento.

Deixaram Hugo e ‘Berto’ perseguirem ‘Gaiato’ pelo El Sonero, até o encurralarem na cozinha. Na porta, a guardar os seguranças, e para evitar que algum deles auxiliasse o amigo, ficaram Vasco e Timóteo. Estavam ambos armados e não permitiam movimentos bruscos. Os três seguranças são agora testemunhas na Acusação do MP.  

AURÉLIO PALHA IMEDIATAMENTE AVISADO DA MORTE

Mataram Nuno ‘Gaiato’ e perceberam imediatamente que podiam ter aberto a caixa de Pandora. Por isso, avisaram Aurélio Palha, também um homem da noite, mas bastante respeitado no mundo da segurança, e pediram-lhe ajuda. ‘Berto’ contou que foi Hugo quem efectuou os disparos e que devia marcar uma reunião de paz para evitar retaliações do gang da Ribeira. O Ministério Público pediu depois as listagens telefónicas e os registos das antenas dos telemóveis dos envolvidos para perceber o percurso dos mesmos nas horas que se seguiram. A reconstituição consta do processo.

PORMENORES

TRÊS ASSINATURAS

O despacho do Ministério Público é assinado por três procuradores do DCIAP, entre eles Helena Fazenda. Da lista de testemunhas só constam inspectores da PJ que fazem parte da equipa e não os primeiros que investigaram a morte de ‘Gaiato’.

PORTEIROS NA NOITE

‘Berto’, Hugo e Timóteo trabalhavam como seguranças, em Julho de 2007, na discoteca Chic, na zona industrial do Porto. ‘Gaiato’ era segurança do El Sonero.

 

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