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Correio da Manhã

Portugal
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Abrantes: Começa julgamento de homicidas de camionistas

O Tribunal de Abrantes começou esta quinta-feira a julgar três jovens acusados pelo Ministério Público (MP) de homicídio qualificado de um camionista na área de serviço em Mouriscas, Abrantes, na A23, em Junho de 2010.
24 de Março de 2011 às 15:16
Mãe de Nelson Ferreira chora a perda do filho
Mãe de Nelson Ferreira chora a perda do filho FOTO: Rui Miguel Pedrosa

Segundo a acusação, o camionista Nelson Ferreira parara na estação de  serviço de Mouriscas, para descansar na viagem que fazia para França. No estabelecimento, um olhar para a mesa onde estavam os arguidos terá originado uma cena de violência, com murros e bofetadas, que culminou com uma facada mortal.

A situação ocorreu cerca das 06h00 e, segundo o despacho de acusação, "os arguidos não conheciam a vítima e esta nada fez para que (...) tivesse sido sequer abordada".

Nélson Ferreira era um cidadão que, "no pleno exercício da sua profissão de motorista, se limitou a parar numa área de serviço e se dirigiu ao estabelecimento com o único propósito de tomar um café e fazer uma pausa", acrescenta a acusação.

Em relação aos arguidos, o despacho regista que os três jovens "actuaram  em conjugação de esforços com intenção de matar Nelson, o que conseguiram, fazendo-o pelo simples prazer e vontade de causar distúrbios, denotando um total, pérfido e gratuito desrespeito pela vida humana".

Nelson Ferreira "foi brutalmente espancado e assassinado simplesmente por ter olhado" para os três jovens, um de 19 anos, os outros dois com 23, quando saía do restaurante da área de serviço das Mouriscas, concluiu o MP, acusando-os de homicídio qualificado.

O arguido mais novo, suspeito de ser o dono da arma branca usada para esfaquear o motorista, responde ainda por um crime de detenção de arma proibida e outro de condução sem habilitação legal, por ter sido ele o condutor durante a fuga que tentaram encetar.

Após o crime, os arguidos tentaram fugir pela A23 mas já eram perseguidos por uma patrulha da GNR, tendo reagido com bastante violência à ordem de  detenção.

As imagens de videovigilância ajudaram a esclarecer que Nelson Ferreira apenas se tentou defender e nunca reagiu às agressões dos jovens.

Divorciado, deixa dois filhos menores, tendo a família deduzido um pedido de indemnização cível de 485 mil euros.

O julgamento decorre sob fortes medidas de segurança. 

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