Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

Absolvido de agredir violentamente a mãe e os irmãos

Arguido e vítimas escusaram-se a prestar declarações ao tribunal.
6 de Setembro de 2013 às 17:37

O Tribunal de Braga absolveu esta sexta-feira um homem de 21 anos acusado de agredir violentamente a mãe e os irmãos, devido à falta de provas resultante do muro de silêncio "levantado" pelo arguido e pelas alegadas vítimas.

O arguido, acusado pelo Ministério Público (MP) de um crime de violência doméstica, escusou-se a prestar declarações, uma postura também assumida pela sua mãe e pelos seus dois irmãos, as únicas testemunhas de acusação.

O julgamento não durou mais de cinco minutos, tendo o juiz proferido a sentença de seguida, frisando que “muito contribuiu a boa vontade" da mãe e dos irmãos para a absolvição e aconselhou o arguido a pensar "muito bem o que quer fazer daqui para a frente, porque da próxima vez poderá não contar com mesma benevolência dos familiares".

Segundo a acusação, deduzida pelo MP, o principal alvo da agressividade do arguido era a mãe, de 52 anos, e que padece de fibromialgia e de problemas de coluna.

"Sempre que se exaltava, por vezes sem motivo que o justificasse, ameaçava a mãe, dizendo-lhe que a mataria, que lhe bateria e que lhe daria 'um murro dos seus que lhe rebentaria a cabeça', chegando mesmo a empunhar uma navalha contra a mesma e dizer-lhe que lha espetava", referiu a acusação, alegando que as agressões eram praticadas de forma reiterada desde inícios de 2012 até março de 2013, incluindo murros, pontapés, cabeçadas e, até, dentadas.

Os factos, que decorriam na casa onde viviam, em Lomar, Braga, estendiam-se também aos dois irmãos, de 18 e 16 anos, sempre que estes iam em socorro da mãe.

Ainda segundo a acusação, num dos episódios, o arguido, depois de insultar verbalmente a mãe, agrediu-a com um murro e mordeu-lhe uma perna.

Noutra ocasião, mordeu a cara da mãe, depois de esta o ter avisado de que, se continuasse com aquela postura, o poria fora de casa, sublinhou o MP.

O arguido foi ainda acusado de ter dado bofetadas e pontapés na mãe quando esta lhe retirou as chaves de casa. A irmã foi em socorro da mãe e o arguido acabou por fechar as duas à chave, num quarto, explicava a acusação, dando conta de que uma das agressões mais violentas terá acontecido a 5 de fevereiro, quando o arguido deu uma cabeçada à mãe que a deixou inanimada.

Mordidelas e pontapés terão acontecido, pelo menos, em mais duas ocasiões, mas nunca a vítima recorreu ao hospital, "tratando-se em casa, por vergonha".

O arguido, que entretanto já não vive na casa da mãe, também se automutilaria em frente aos irmãos, "causando-lhes sofrimento físico e psíquico".

violência doméstica arguido mãe irmão tribunal silêncio murros pontapés cabeçadas dentadas
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)