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Correio da Manhã

Portugal
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Abundância do carapau faz cair o preço

Pescadores falam em grandes dificuldades no escoamento do pescado e nos preços praticados na venda em lota. Muitos armadores optam por nem sequer trazer carapau para terra.
29 de Setembro de 2013 às 01:00
Pescadores dizem que já nem vale a pena apanhar carapaus

Desde há mais de um mês que começou a aparecer muito carapau nas águas algarvias, sobretudo na zona do Barlavento. Os pescadores queixam-se de que a abundância da espécie provocou uma descida significativa no preço em lota.

"Já quase não existe escoamento", explica Mário Galhardo, presidente da Barlapescas, uma organização de produtores e cooperativa de armadores com sede em Portimão, acrescentando que os pescadores "até evitam trazer carapau para terra porque o preço é baixo e não compensa o trabalho que temos".

Segundo este dirigente associativo, o valor por quilo de carapau em lota fica-se muitas vezes pelos "50 ou 60 cêntimos", o que considera "ser muito pouco".

Segundo dados da Docapesca, empresa que gere as lotas do continente, só no período de 16 a 20 do corrente mês foram transacionadas mais de 28 toneladas de carapau nas lotas de Portimão, Sagres e Lagos.

Além do carapau, os pescadores da arte do cerco também têm capturado muita cavala. Mas o preço em lota é igualmente baixo, também devido à grande quantidade existente. "O valor ronda os 15 a 20 cêntimos", refere Mário Galhardo, adiantando que essa abundância de cavala se faz sentir em todo o País.

A Barlapescas foi pioneira, há cerca de sete anos, em estabelecer acordos para a venda de cavala para Espanha, destinada à engorda de atum que se encontra em gaiolas no Mediterrâneo. "Agora, não estamos a vender", refere Mário Galhardo, adiantando que os espanhóis "não querem cumprir o valor acordado para venda, pretendendo pagar menos".

Em relação à sardinha, as quantidades têm sido menores do que o ano passado, mas o preço tem compensado.

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