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Correio da Manhã

Portugal
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Acidente mata histórico da PJ

Júlio Santos, coordenador da Polícia Judiciária do Porto e responsável pela equipa da Secção Regional de Combate ao Banditismo, que investigava os assaltos a bancos, bombas de gasolina e ourivesarias, morreu anteontem num violento acidente de viação, cerca das 23h30, na Via Regional Interna do Porto, na zona de Custóias, em Matosinhos.
11 de Agosto de 2008 às 00:30
Golf em que Júlio Santos seguia despistou-se contra um raile de protecção na Via Regional Interna do Porto
Golf em que Júlio Santos seguia despistou-se contra um raile de protecção na Via Regional Interna do Porto FOTO: Tiago Monteiro

O investigador seguia num Golf de cor escura e em circunstâncias não determinadas o automóvel que conduzia embateu num segundo carro.JúlioSantosdespistou-se contra um raile de protecção, tendo morte imediata.

A notícia, conhecida às primeiras horas da manhã, deixou a Polícia Judiciária de luto. O investigador era admirado pela sua tenacidade e respeitado por anos de resultados à frente do combate ao crime violento."Ser polícia é isto. Era alguém que vivia à pressa, que era exigente mas generoso. Representava a garra e a vontade que marcam a Polícia Judiciária do Porto, era de uma dedicação sem igual", recorda Teófilo Santiago,ex-director-adjuntodaquela directoria.

Também Artur Pereira,quetambém liderou a PJ do Porto, realça o profissionalismo de Júlio Santos. "Não tenho dúvidas de que era o melhor funcionário da Directoria do Porto da PJ. Alguém de trato difícil, mas que nunca desistia perante uma adversidade."

Júlio Santos esteve à frente de diversas investigações complicadas. Filho de um polícia – o inspector-chefe Júlio Santos, também da Directoria do Porto –, foi baleado e alvo de uma tentativa de atropelamento quando tentava deter o gang do Vale de Sousa, onde morreu um inspector da PJ. Na altura, assinou um artigo de opinião no ‘Jornal de Notícias’, onde criticava o ministro da tutela por não dar meios à PJ para combater o crime violento.

Transferido para o Algarve, onde assumiu a liderança da equipa que investigava o desaparecimento de Joana Cipriano, voltou a assumir as críticas à tutela quando parte do gang que lhe matou o colega foi libertado. Regressou ao Porto para voltar a liderar o combate ao banditismo, agora como coordenador.

TRÊS DÉCADAS NA JUDICIÁRIA

Júlio Santos tinha 53 anos e há três décadas que servia a PJ. Conhecido pela dedicação sem igual, era o ‘chefe’ admirado por quem com ele trabalhava. Não desistia perante adversidades e as suas equipas mostravam sempre elevados resultados operacionais. Quem com ele privou recorda que todos os dias arriscava tudo, com o objectivo de combater o crime.

PORMENORES

FUNERAL AMANHÃ

A autópsia ao corpo de Júlio Santos deverá ocorrer durante o dia de hoje, devendo o funeral ser amanhã, na cidade do Porto.

INQUÉRITO AO ACIDENTE

Deverá ser aberto um inquérito às circunstâncias do acidente. A causa, embora ainda não determinada, poderá estar relacionada com o excesso de velocidade.

CONDUTOR ILESO

O condutor do veículo envolvido no mesmo acidente acabou por escapar ileso. O carro em que Júlio Santos seguia ficou completamente destruído.

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