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Correio da Manhã

Portugal
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Acorrentou-se ao Tribunal de Lagos

Um homem, de 52 anos, acorrentou-se ontem de manhã às grades da entrada do Tribunal de Lagos. A corrente teve de ser cortada pelos bombeiros, que foram chamados ao local pela PSP. "Foi um acto de desespero", disse ao CM Sezilando Ferreira, que reclama receber uma indemnização devido a uma tentativa de homicídio de que foi vítima há quase 25 anos. E acusa, em especial, um seu anterior advogado de "ter ficado com parte do dinheiro".
27 de Agosto de 2009 às 00:30
Sezilando Ferreira foi baleado há 25 anos, mas ainda não recebeu a indemnização decidida pela justiça
Sezilando Ferreira foi baleado há 25 anos, mas ainda não recebeu a indemnização decidida pela justiça FOTO: direitos reservados

Sezilando preparou tudo. Apanhou o autocarro em Maria Vinagre (concelho de Aljezur) pelas 06h40, transportando numa mochila uma corrente de metal, um cadeado e duas garrafas de litro e meio de água. O seu destino era Lagos, onde chegou por volta das 08h40. E não perdeu tempo a dirigir-se ao tribunal local. Colocou, então, a corrente ao pescoço e prendeu-a às grades da entrada, sem, no entanto, pôr em causa o normal funcionamento do tribunal.

"Queria que um magistrado viesse ter comigo e prometesse que ia ver o meu caso, mas ninguém apareceu", referiu Sezilando ao CM. Quem apareceu foi a PSP. Dois elementos tentaram convencê-lo a acabar com o protesto, mas sem sucesso. Optaram por chamar os bombeiros para proceder ao corte da corrente. Cerca de uma hora depois de se ter acorrentado, o homem estava solto. Contra a sua vontade, dado que estava preparado para passar o resto do dia em acção de protesto. "Não ofereci qualquer resistência. Deixei que fizessem o trabalho deles", explicou ao CM.

A corrente foi levada pela PSP, mas Sezilando garante que irá arranjar outras, quer tenha de as comprar ou de pedir emprestadas a amigos. "Hoje [ontem] já não vou fazer mais nada. Irei apanhar o autocarro para voltar para casa, mas amanhã [hoje] regressarei à mesma hora para me acorrentar de novo à porta do tribunal. Fui baleado faz no dia 14 de Outubro 25 anos e até essa data vou continuar com este protesto para que me seja pago o dinheiro", salientou Sezilando, adiantando que se trata de "uma forma de repor a dignidade".

"EU NUNCA VI O DINHEIRO DA INDEMNIZAÇÃO"

Sezilando Ferreira garantiu ao CM que tem para receber mais de 22 mil euros. Mas garante: "Nunca vi dinheiro nenhum da indemnização que o meu agressor foi condenado a pagar." E acusa "os advogados de terem ficado com o dinheiro". O seu principal alvo é um advogado que o representou. O CM tentou em Junho (altura em que noticiámos o caso de Sezilando) obter esclarecimentos do causídico, mas este escusou-se por razões de "sigilo profissional". Ontem, efectuámos uma nova tentativa, mas nada mais foi adiantado.

PORMENORES

DOIS TIROS

Sezilando foi baleado pelas costas, sendo atingido com dois tiros de pistola de calibre 6.35 milímetros na coluna e num pé. O caso passou-se há quase 25 anos, em Odeceixe.

DIFICULDADES

"Era mergulhador e tive de deixar a profissão. Fiquei com a coluna toda estragada. Hoje vivo com dificuldades, do rendimento mínimo. Gasto uns 50 euros por mês só em medicamentos", referiu Sezilando Ferreira.

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