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Correio da Manhã

Portugal

Acusação rejeita tese de problemas mentais de Renato Seabra

Uma avaliação psiquiátrica de Renato Seabra entregue, esta sexta-feira, pela procuradoria de Nova Iorque rejeita que problemas mentais do jovem português estejam na origem do homicídio de Carlos Castro, em Janeiro de 2011.
24 de Fevereiro de 2012 às 21:32
O juiz do caso apontou mesmo Abril ou Maio como horizonte para que o julgamento arranque
O juiz do caso apontou mesmo Abril ou Maio como horizonte para que o julgamento arranque FOTO: Lusa

Contrariando a tese da defesa do jovem acusado de homicídio em segundo grau, o relatório, de 22 páginas, determina que Seabra "tinha a capacidade mental para perceber a natureza e consequências dos seus actos e de saber que os seus actos eram errados".

Mas o advogado de defesa, David Touger, que recebeu o relatório em tribunal das mãos da procuradora encarregada do caso, Maxine Rosenthal, dispõe de outra avaliação que sustenta que o jovem deve ser considerado "não culpado por razões de doença ou distúrbio mental" e mostra-se confiante que esta tese vai prevalecer perante um júri, quando o julgamento arrancar. 

"Este relatório significa que vamos a tribunal e que o júri vai decidir esse assunto", disse Touger após uma curta sessão preliminar em que esteve presente Renato Seabra e a sua mãe.

"A nossa defesa vai ser que ele não sabia o que fazia. Que não tinha capacidade mental para saber que o que estava a fazer era errado", adiantou o advogado.

O relatório apresentado pela defesa aponta para "doença ou debilidade mental" como motivo do crime, o que pode mesmo conduzir a uma absolvição e a uma posterior audiência sobre se Seabra está em condições de ser libertado.

A próxima sessão ficou agendada para o próximo dia 9 de Março, e servirá para "discutir inteligentemente a marcação da data do julgamento", nas palavras do juiz Charles Solomon.

O juiz do caso apontou mesmo Abril ou Maio como horizonte para que o julgamento arranque.

 


Alguns elementos ainda terão de ser facultados à defesa até à audiência, em primeiro lugar os relacionados com o relatório psiquiátrico da acusação, que sustentam a conclusão e os resultados dos exames feitos a Seabra.

Seabra foi interrogado duas vezes pelo psiquiatra contratado pela procuradoria, com recurso a um intérprete, e sujeito a um teste escrito em português.

Touger aguarda ainda que lhes sejam entregues testes de ADN do quarto de hotel, que vão servir para determinar a quem pertencem as amostras de sangue recolhidas no local do crime.

A defesa quer também ter acesso a um vídeo do acusado e da vítima [Carlos Castro] no ‘lobby' do hotel Intercontinental, no dia do crime. 

A demora na entrega destes elementos e no arranque do julgamento tem motivado acesas discussões na sala de audiências entre defesa e acusação, levando o juiz a declarar-se "frustrado" com o processo.

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