Quase 13 anos depois do desaparecimento.
Quase 13 anos depois de Rui Pedro ter desaparecido de casa, em Lousada, o Ministério Público deduziu acusação por rapto qualificado contra Afonso Dias, de 33 anos, a última pessoa a ser vista com o menino. Arrisca uma pena de prisão entre dois a dez anos. O processo, que esteve a cargo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, termina sem responder à pergunta-chave. O que aconteceu a Rui Pedro? Está vivo ou morto? A família, ontem notificada, não comenta (ver caixa).
O Ministério Público deixa as várias possibilidades em aberto. As suspeitas que apontavam para a existência de uma rede de pedofilia nunca se confirmaram, e não surgiu qualquer indício que levasse a pensar que o menino estava morto. O procurador Vítor Magalhães, que teve a seu cargo o processo Freeport, não tem dúvidas de que Afonso Dias, que tinha combinado levar o menor a um encontro com prostitutas, é o responsável pelo desaparecimento.
A acusação relata que a 4 de Março de 1998 Rui Pedro combinou um encontro com Afonso. Dez anos mais velho, o "arguido sabia que conseguia convencer facilmente o menor, pelo que o convidou, juntamente com o primo, a encontrarem-se para ir ter com prostitutas", pode ler-se na acusação do Ministério Público. João André, o primo, não foi, ao contrário de Rui Pedro, que almoçou à pressa no restaurante da família, e por volta das 15h00 estava num descampado junto à escola, à espera de Afonso. Minutos antes tinha pedido permissão à mãe para sair com aquele.
Filomena Teixeira recusou, mas Rui Pedro não respeitou a proibição da progenitora, e quando viu o Fiat Uno chegar ao descampado largou a bicicleta e entrou no carro de Afonso. Os amigos assistiram a tudo e viram Rui Pedro partir.
Dali, o menor seguiu com o arguido para a Estrada Nacional 106, em Lustosa. Pararam para falar com uma prostituta, a quem Afonso ofereceu dez euros para manter relações sexuais com o menino.
No entanto, Rui Pedro hesitou no último momento, abandonou a prostituta e entrou novamente no carro. Afonso arrancou então em direcção a Lousada. De acordo com a prostituta, o menino abandonou o local no mesmo veículo em que tinha chegado.
Por volta das 18h45, Afonso chegou a casa da namorada, em Freamunde. Mas estava sozinho. Rui Pedro já tinha desaparecido – e quase 13 anos depois o destino do menino continua a ser um mistério para todos.
Afonso nunca conseguiu explicar à Polícia Judiciária que investigaram o caso onde esteve e o que fez entre o momento em que abandonou a prostituta e voltou a Freamunde, já sem Rui Pedro.
AMIGO DA FAMÍLIA DE RUI DESDE 1995
Afonso Dias aproximou-se da família Mendonça em 1995, altura em que tirou a carta de condução na escola da família de Rui Pedro. Após obter a carta, continuou a frequentar o local e convivia com Rui Pedro e com a irmã Carina, dois anos mais nova . Entre 1996 e 1997, Afonso cumpre o serviço militar, e quando regressa volta a aproximar-se de Rui Pedro. Os pais do menino mostram-se desagradados, até porque o arguido era dez mais velho do que o filho. Afonso continuou porém a encontrar-se com Rui Pedro e com o primo deste, e convidava-os para irem rebentar foguetes ou encontrar-se com prostitutas.
PAIS E IRMÃ DO DESAPARECIDO NÃO COMENTAM
Os pais e a irmã de Rui Pedro souberam ontem da dedução da acusação do Ministério Público. "Soubemos pela Polícia Judiciária. A minha mãe não está em condições para falar e não vamos comentar mais nada", disse ao CM a irmã, Carina Liliana. O advogado da família, Ricardo Sá Fernandes, considerou que a acusação serve de "consolação". A mãe de Rui Pedro, Filomena Teixeira, sofreu uma depressão em 2007.
JUDICIÁRIA TENTOU ENCONTRAR MENINO
A possibilidade de encontrar Rui Pedro com vida foi um dos principais motivos que levaram a que a investigação se prolongasse por quase 13 anos. A constante necessidade de avaliar inúmeras informações/denúncias que chegavam ao processo complicaram a investigação. O MP considera que, embora não se saiba concretamente o que aconteceu ao menino, a investigação deve ser encerrada, face ao longo período de tempo que já passou.
A PJ do Porto investigou inúmeras pistas que indicavam que Rui Pedro estava em Portugal, em Espanha, França e Suíça. Em nenhuma das situações foi encontrada qualquer confirmação. Os últimos locais onde o menor terá estado foram analisados ao pormenor por cães-pisteiros, foram feitos exames e buscas no descampado e nas matas associadas à prostituição. As autoridades reconstruíram os passos de Rui Pedro até às 15h30 de dia 4 de Março de 1998. Afonso nunca conseguiu explicar o lapso temporal existente na sua versão: não especifica onde esteve entre essa hora e as 18h45.
PAI GARANTIA SEMELHANÇAS
Um mês após o desaparecimento de Rui Pedro, a revista ‘Caras’ publicou uma reportagem de uma visita à Eurodisney, em Paris. Na imagem, via-se um menor bastante parecido com o menino de Lousada. Manuel Mendonça jurava que era o filho.
FOTOS PEDÓFILAS VERIFICADAS
Em Julho de 2000, uma nova pista deu alento aos pais da criança. No âmbito de uma operação internacional contra redes de pedofilia, foram destacadas duas fotografias de um jovem com muitas semelhanças a Rui Pedro. Os pais, mais uma vez, confirmaram que aquele podia ser o seu filho.
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