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Correio da Manhã

Portugal
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ADENOVÍRUS ASSUSTA

"Sentimo-nos inseguros, qualquer indisposição no miúdo nos faz pensar na doença. Não digo que estejamos alarmados, talvez apenas assustados", diz Joaquim Paulo Ferreira, de Gondomar, afagando o cabelo do pequeno Pedro Miguel, o filho de 5 anos que acaba de receber alta do serviço de Urgência de Pediatria do Hospital de S. João.
3 de Junho de 2003 às 00:00
Joaquim Paulo confessa-se preocupado mas não alarmado
Joaquim Paulo confessa-se preocupado mas não alarmado FOTO: Luis Lopes
Afinal, ao Pedro Miguel foi diagnosticada uma gastrite sem complicações de maior, e a curto prazo a maior consequência vai ser a de, para seu grande desgosto, não participar hoje no passeio da escola. Mas a verdade é que está criado um clima de ansiedade nos pais, depois do caso fatal da última sexta-feira, que naquela unidade hospitalar vitimou uma criança de um ano e meio, natural de Cinfães, por infecção respiratória causada por um tipo de adenovírus.
"Ansiedade, sim, mas não há qualquer clima de alarme. Não há nem há razão objectiva para haver", afirma Lurdes Morais, a médica que ontem chefiava a equipa de urgência pediátrica. "Em boa verdade, noto que há mais preocupações nas escolas e infantários do que no seio das famílias. Isso leva a que cheguem aqui crianças que nem passaram pelo centro de saúde, mas apesar disso temos estado a responder capazmente a todas as situações", acrescenta a responsável clínica. E, de facto, o CM pôde constatar que naquele serviço o tempo de espera não ultrapassava os poucos minutos.
Na Unidade de Cuidados Intensivos estão internadas duas crianças em estado grave e uma delas corre mesmo risco de vida. Ali já não se demonstra a mesma calma, como o atesta o facto de impedirem que os jornalistas identifiquem as crianças ou falem com os seus familiares. Uma atitude de nervosismo que contrasta com o discurso de desdramatização do director clínico José Guimarães.
GUIMARÃES COM ESTIRPE MAIS PERIGOSA
A Direcção-Geral de Saúde ordenou a realização de análises para verificar se o adenovírus que atingiu três crianças (uma mortalmente) é do mesmo tipo que vitimou outras cinco no Hospital de Guimarães. Nesta unidade, o vírus detectado era, entre as dezenas existentes, dos mais perigosos.
O subdirector-geral de Saúde, Francisco George, diz, no entanto, que a situação "não é para alarme". "Todos os anos há crianças com infecções respiratórias.
Este ano, sublinha aquele responsável, os números destas infecções, nomeadamente adenovírus, "estão dentro dos parâmetros normais".
Para o subdirector-geral da Saúde, o desenvolvimento tecnológico que permite diagnosticar rapidamente este tipo de vírus possibilita uma análise mais rápida.
"Até agora, as crianças morriam e apenas se sabia que era uma virose; agora já se sabe as causas", elucida Francisco George, garantindo que as autoridades de saúde estão atentas à situação.
Por seu turno, o director clínico do hospital, José Guimarães, diz que a situação está controlada. "Não há contágio dentro do hospital", garantiu ao CM.
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