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Correio da Manhã

Portugal
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Adeus emocionado

Os lenços foram pequenos para enxugar as lágrimas às centenas de pessoas do distrito de Santarém que ontem acompanharam os funerais dos seis operários mortos no acidente na ‘estrada da morte’, quinta-feira, em Espanha. "É um acontecimento doloroso, que provoca um ponto de interrogação acerca da realidade da vida", afirmou o padre Sérgio Henriques, na missa de corpo presente em honra de António e Telmo Lopes – pai e filho –, na Igreja Paroquial de Caxarias, Ourém.

10 de Novembro de 2008 às 00:30
Os familiares de António José da Conceição momentos antes da descida da urna à sepultura
Os familiares de António José da Conceição momentos antes da descida da urna à sepultura FOTO: Rui Miguel Pedrosa

Os dois familiares foram os primeiros a ser sepultados e as urnas foram transportadas em ombros, mais de um quilómetro, por elementos dos Bombeiros Voluntários de Caxarias. A corporação quis assim prestar uma última homenagem a dois ex-colaboradores.

Numa celebração simples mas sentida, o sacerdote aconselhou os presentes a apoiarem-se em Deus para ultrapassar "este momento de dor, angústia e tristeza".

Horas depois, iniciavam-se as exéquias de António José da Conceição, na capela do cemitério de Marmelais, em Tomar. O padre Frutuoso Matias tentou dar alento à família enlutada com um apelo ao divino: "Senhor, dai-lhes força no sofrimento e conforto na solidão".

A descida da urna à terra foi feita num ambiente de grande angústia e dor, com alguns dos familiares mais directos a exteriorizarem a revolta por terem perdido o seu ente querido. "Nós sabemos que estamos cá de passagem, mas quando a morte nos toca de perto tudo se torna mais complicado. Agora, é preciso levantar a cabeça", lembrou o sacerdote.

Na freguesia de Chãos, Ferreira do Zêzere, o padre José Rosa Gomes optou pela oração em vez do sermão. A família de Agostinho Correia Antunes ainda pediu que fosse celebrada uma missa, mas não foi atendida.

O operário foi sepultado no cemitério da freguesia. A meio da tarde, 16h00, foram a enterrar as duas últimas vítimas – António Mendes Coelho e Luís Filipe Antunes –, depois de uma missa na Casa Mortuária de Rio de Couros, Ourém.

O acidente que provocou a morte aos seis portugueses ocorreu na zona de Palência. Os trabalhadores regressavam de França numa carrinha que se despistou e foi embater num camião, também português.

DETALHES

TRISTEZA

Os familiares de Agostinho Antunes ficaram tristes por o pároco de Chãos não ter celebrado missa de corpo presente. E ter impedido a ida de outro padre.

FLORES

Centenas de coroas e ramos de flores foram depositadas nas sepulturas dos seis operários tragicamente falecidos.

 

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