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Correio da Manhã

Portugal
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Adiado julgamento de médico acusado de homicídio por negligência até novas perícias

Mulher faleceu vítima de "tamponamento cardíaco [rutura de uma veia do coração] decorrente de aneurisma coronário".
23 de Outubro de 2018 às 12:38
Tribunal de Peniche
Tribunal de Peniche
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O Tribunal de Peniche adiou hoje o início do julgamento de um médico acusado de homicídio por negligência pela morte de uma mulher na urgência do hospital da cidade, ao requerer novas perícias e pareceres técnicos.

A juíza Carla Ginja solicitou uma nova perícia ao Instituto de Medicina Legal, a pedido do Ministério Público, e um novo parecer à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, já que as anteriores conclusões a que chegaram foram elaboradas sem o conhecimento dos resultados da autópsia.

O arguido veio também juntar aos autos a conclusão do processo disciplinar levantado pela Ordem dos Médicos, que decidiu arquivar o caso.

De acordo com o despacho instrutório, a que a agência Lusa teve acesso, a 05 de janeiro de 2015, a vítima deu entrada na urgência e foi atendida pelas 09h51 pelo médico, queixando-se de "dores no peito e pescoço", motivo pelo qual foi pedido um raio-x (RX) torácico pelas 10:41.

Pelas 11h16, o arguido observou o resultado do exame e "concluiu não haver lesões", afastando a "hipótese de enfarte do miocárdio", apesar de no RX ser visível existir um "alargamento do mediatismo superior".

O problema apontado era indicativo de um eventual aneurisma coronário, que "impunha a realização de uma TAC [Tomografia Axial Computorizada]" e o consequente reencaminhamento da doente para a urgência das Caldas da Rainha, por não haver TAC em Peniche.

A vítima foi mantida em observação na urgência de Peniche, sem ser transferida para as Caldas da Rainha para efetuar o exame e, a confirmar-se o diagnóstico, ser sujeita a intervenção cirúrgica.

A TAC foi pedida pelas 18:40, assim como um ecocardiograma e uma eletrocardiograma, face à "persistência das dores torácicas".

Os exames "não foram a tempo" e a mulher faleceu pelas 19h30, vítima de "tamponamento cardíaco [rutura de uma veia do coração] decorrente de aneurisma coronário".

O médico "deveria ter-se aconselhado com o médico de medicina interna e solicitado o transporte de urgência para Caldas da Rainha", conclui a acusação, segundo a qual se o médico tivesse agido de forma devida a "morte não sucederia".

O despacho instrutório refere que "a leitura do RX torácico mudaria todo o rumo" dos acontecimentos, concluindo ter havido uma "negligência inconsciente".

O médico está aposentado, mas continua a exercer na urgência de Peniche, através de uma empresa que presta serviços para o Centro Hospitalar do Oeste.

Os hospitais de Peniche e de Caldas da Rainha, assim como o de Torres Vedras, pertencem ao Centro Hospitalar do Oeste.
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