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Correio da Manhã

Portugal
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Advogado diz que não corrompia polícias

No primeiro dia de julgamento do escândalo de corrupção no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, o advogado e principal arguido João Carlos Zóio abriu ontem o jogo.
27 de Setembro de 2005 às 00:00
Arlindo Mota defende João Zóio
Arlindo Mota defende João Zóio FOTO: Manuel Moreira
“Gratificava” dois agentes da PSP destacados para o SEF, “Catarina Antunes e Herman Martins”, disse, em troca de “senhas para um atendimento mais rápido”. Depois dava-as aos imigrantes ilegais que os procuravam, em troca de dinheiro. O objectivo era, segundo Zóio, “evitarem uma espera de cinco a seis meses pela autorização de permanência”.
No Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, o advogado revelou que até à data em que foi detido pelo próprio SEF, em Maio de 2002, os também arguidos Catarina Antunes e Herman Martins receberam, respectivamente, um total de cerca de 300 e 3000 euros.
Mas não era um suborno. “Era apenas uma gratificação – prática corrente nos notários”, segundo o advogado. Com o passar da manhã, sempre foi admitindo que os dois polícias, ao princípio, “não se sentiam muito confortáveis...”.
E os imigrantes, claro, também o gratificavam. Recebia cerca de 100 euros, “sem acompanhamento” e 150 “quando os ajudava a preencher os impressos”, disse.
O que João Zóio negou foi a elaboração de contratos de trabalho fictícios e de se servir de angariadores estrangeiros. “Se o fiz foi de boa-fé” – pensando que os clandestinos iam mesmo trabalhar nas respectivas empresas.
Outros três advogados estão acusados da mesma prática. Negam. Tal como os 12 estrangeiros acusados de angariar clientes para a rede – mas as escutas telefónicas, ontem transcritas, são comprometedoras. Hoje há nova audiência.
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