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Correio da Manhã

Portugal
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AFASTAR OS JOVENS DA DROGA

Existem desde o século XIX e viveram dias de grande actividade nos tempos da Ditadura. Hoje, as 350 colectividades lisboetas, apesar de lutarem com falta de dinheiro, continuam fiéis aos seus princípios orientadores – o apoio à terceira idade e à juventude e a dinamização da vida cultural dos bairros –, mas um propósito diferente veio juntar-se-lhes nos últimos anos: o combate à toxicodependência.
20 de Outubro de 2002 às 00:02
“Enquanto as crianças e os jovens estão envolvidos nas actividades, estão afastadas do flagelo da droga”, considera Carlos Jorge ‘Español’, presidente do Ginásio do Alto do Pina.

Porém, “o associativismo tem vindo a decair. Talvez a associação mude esta situação e possa representar-nos perante os poderes locais e centrais”, desabafa Paula Antunes, da Academia Recreio Artístico.

São 4500 os dirigentes associativos que gerem as actividades destas colectividades que, no total, reúnem mais de cem mil pessoas empenhadas no apoio à terceira idade, na formação desportiva e musical de jovens e crianças e na promoção de eventos culturais.

Em Lisboa, as 19 marchas populares são integralmente organizadas pelas colectividades, tal como as festas dos Santos Populares, os arraiais e os bailes.
Antes do 25 de Abril de 1974, as colectividades eram uma garantia de “núcleos com uma democracia autónoma, diferente do que se vivia cá fora”, como referiu Rita Magrinho, ex-vereadora do Desporto da Câmara Municipal de Lisboa.

E as reuniões da direcção eram, também, pretexto para os trabalhadores discutirem problemas salariais, “um sítio onde se podia falar à vontade”, recorda Lubriano Costa, da Academia de Santo Amaro, colectividade onde “a PIDE, em 1973, não teve coragem de parar um concerto que tinha proibido”.
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