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Correio da Manhã

Portugal
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Aferição para mais alunos

O Presidente da República levantou a questão ao revelar que o Governo coloca a hipótese de as provas de aferição poderem “evoluir noutro sentido” e a ministra da Educação não fecha portas a alterações.
31 de Maio de 2007 às 00:00
Três ministros participaram no balanço do Plano Nacional
Três ministros participaram no balanço do Plano Nacional FOTO: Silvia Santos/Lusa
Ontem, na apresentação do balanço do primeiro ano do Plano Nacional de Leitura, Maria de Lurdes Rodrigues admitiu alargar os exames de aferição a mais alunos e disciplinas, dependendo das conclusões do relatório final, que permitirá uma reflexão mais profunda sobre o ensino.
“Espero que no próximo ano possamos realizar provas de aferição”, disse a ministra, acrescentando que “está em aberto se a mais disciplinas ou não e a outros níveis de escolaridade”. Apesar de “não estar nada em cima da mesa”, “o Ministério da Educação está disponível para trabalhar com as escolas no desenvolvimento de provas externas de aferição do sistema de ensino para dispor de elementos para avaliar as competências dos alunos”.
Maria de Lurdes Rodrigues fez questão de sublinhar que a experiência posta este ano em prática – avaliando cerca de 245 mil alunos – é uma mostra de que “o sistema está maduro para aceitar este tipo de provas”. “Precisamos de concluir a correcção das provas, analisar os resultados, precisamos de os devolver aos professores e precisamos de feedback dos professores. Precisamos de ter os planos de acção dos professores e das escolas para melhorar resultados e, portanto, isto é um processo.” Sobre a polémica em torno dos erros ortográficos na prova de Língua Portuguesa, disse que estes “vão ser evidentemente contados nas avaliações”.
A hipótese de alargamento das provas de aferição tinha já sido levantada pela Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) e pela Associação de Professores de Português (APP). No dia da prova de Língua Portuguesa, a SPM defendeu “a instituição de exames em passos intermédios, no 4.º e 6.º anos, e a mais disciplinas”. Na véspera, Paulo Feytor Pinto, presidente da APP disse que “outras disciplinas, como História, Geografia ou Física e Química, deviam ser alvo de provas de aferição”.
LEITURA CHEGOU A UM MILHÃO
O primeiro ano do Plano Nacional de Leitura (PNL) foi ontem assinalado em Lisboa com um balanço de actividades, na presença dos ministros da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, da Cultura, Isabel Pires de Lima, e dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva. A escritora Isabel Alçada, comissária do plano, destacou “a participação expressiva da sociedade civil e dos agentes ligados ao sector”, garantindo que um milhão de crianças do 1.º e 2.º ciclos participou nas iniciativas do PNL, usufruindo de pelo menos uma hora de leitura orientada na escola. Houve ainda “8934 escolas registadas que enviaram 4300 projectos de leitura”, ao mesmo tempo que foram promovidos sete concursos que envolveram sete mil escolas e quase 20 mil crianças. O site Ler contabilizou 30 mil visitas mensais e um milhão de páginas registadas. O professor universitário António Firmino da Costa, encarregado da avaliação externa do plano, revelou que os 50 estudos de casos efectuados revelaram uma apreciação positiva do PNL. Quanto aos aspectos negativos, há professores que criticam “o excesso de autores estrangeiros” na lista de livros recomendados, o atraso na entrega de verbas e o arranque tardio da iniciativa.
SAIBA MAIS
- 1999 foi o ano da criação das provas de aferição. Os resultados obtidos nunca contaram para avaliação final dos alunos. A avaliação foi quase sempre feita por amostra, ao contrário deste ano.
- 245 mil alunos do 4.º e 6.º anos realizaram as provas de aferição de Língua Portuguesa e de Matemática.Os resultados serão afixados nas escolas a 21 de Junho.
OBJECTIVOS
As provas servem para aferir os conhecimentos dos alunos e avaliar currículos, programas e a capacidade dos professores para transmitir a matéria dada.
AVALIAÇÃO
Em 2006, os resultados não foram divulgados. Este ano, as notas vão permitir uma avaliação escola a escola e elaborar um relatório final capaz de gerar planos de acção nesta área.
ANONIMATO
A exemplo dos exames nacionais, as provas são corrigidas sob o anonimato dos alunos.
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