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Correio da Manhã

Portugal
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Agenda terrorista aponta Portugal

Os terroristas que possam estar escondidos no nosso país foram denunciados em Barcelona, sábado de madrugada, por apontamentos que a Guardia Civil espanhola apreendeu a 14 radicais islâmicos.
22 de Janeiro de 2008 às 00:00
Os 12 paquistaneses e dois indianos presos, apurou o CM, guardavam contactos telefónicos que terão permitido estabelecer uma ligação a pessoas que se encontram em Portugal.
Mas um dia antes, na sexta-feira, já o Serviço de Informação de Segurança (SIS) e a Judiciária estavam avisados para uma ameaça real de atentado em solo europeu – e mais concretamente no nosso país, em Espanha, França ou Inglaterra.
O alerta foi dado por uma fonte de um serviço de informações estrangeiro e precipitou a operação levada a cabo na Catalunha – mas não é garantido que haja uma relação directa entre os 14 detidos e a informação do atentado que estará a ser preparado na Europa. Por isso, mantém-se o alerta – e, em relação a Portugal, está a ser investigado pela polícia espanhola se os suspeitos entraram em contacto com elementos da célula através dos números apanhados, ou se aqueles paquistaneses e indianos passaram pelo nosso país antes de serem apanhados na madrugada de sábado em Barcelona.
Ao mesmo tempo, todas as brigadas da Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB) da Judiciária estão há já três dias no terreno, de Norte a Sul do País, atrás de pistas sobre o paradeiro de potenciais terroristas paquistaneses. O CM sabe que são neste momento apuradas várias identidades – e estão a ser reconstituídos os possíveis percursos comuns entre os 14 detidos em Espanha e elementos ligados ao radicalismo islâmico há muito referenciados pela Judiciária.
Há suspeitas reais de potenciais bombistas se esconderem no nosso país, com documentos falsos. As informações que o SIS recebeu na sexta-feira mantêm-se válidas e apontam para a hipótese de atentado, nos próximos dias, entre Portugal, Espanha, Inglaterra ou França.
Todos os elementos recolhidos estão a ser cruzados e analisados pelos serviços de informação e a DCCB, departamento da PJ com exclusivo da investigação criminal na área do terrorismo, bem como estão distribuídas missões concretas no terreno para as zonas de intervenção da PSP, GNR e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). A PSP reforçou a sua vigilância à porta de embaixadas, em Lisboa, enquanto o SEF conta com a colaboração da GNR no controlo de estrangeiros com documentos falsos nas fronteiras e aeroportos. Outra preocupação são os automóveis alugados ou de matrículas estrangeiras – alvo de identificação e revista. Todos os esforços estão a ser concentrados no Gabinete Coordenador de Segurança.
REJEITADA A LIGAÇÃO AO DAKAR
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, não desmentiu ontem a presença em Portugal de “elementos ligados ao fundamentalismo islâmico”, mas adiantou que essa é “uma questão reservada à investigação e que não deve ser revelada”. Depois de uma hora reunido no Gabinete Coordenador de Segurança, onde têm assento representantes das diferentes forças, o ministro rejeitou ainda “uma conexão operacional” entre as actuais investigações e a ameaça que levou ao cancelamento do Rali Lisboa-Dakar. “Apenas há uma conexão na fonte – o fundamentalismo islâmico originado pela al-Qaeda”.
PROTECÇÃO CIVIL CHAMADA
O Gabinete Coordenador de Segurança é composto pelos representantes da Polícia Judiciária, PSP, GNR, SEF, SIS, autoridades marítima e aeronáutica, mas, para a reunião de ontem, o ministro da Administração Interna decidiu ainda convocar os representantes da Protecção Civil – responsáveis pelo socorro das vítimas em caso de atentado. De qualquer forma, e apesar de qualquer aviso ser “levado a sério”, Rui Pereira garante que “está a ser feito tudo o que deve ser feito e não há razão para alarme”. O ministro tomou conhecimento da ameaça e deu “instruções imediatas para que as forças de segurança reforçassem a sua atenção nos aeroportos e fronteiras”. O ‘ponto da situação’ foi feito na reunião de ontem, em que o ministro quis conhecer o balanço da troca de informações entre diferentes forças de segurança.
REACÇÕES
PRESIDENTE CONFIANTE
Cavaco Silva disse ontem que as ameaças terroristas “devem ser levadas a sério”, mas, de acordo com as informações de que dispõe, “não há razões para alarme”. O Presidente confia “que os serviços de segurança nacionais estão a acompanhar todas as informações” sobre um possível atentado.
MENEZES PREOCUPADO
O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, está “a acompanhar com preocupação” as informações sobre a ameaça terrorista em Portugal. O líder da oposição confia “quer nos serviços de informação quer nos serviços policiais” – mas, “no mundo global em que estamos, com a perigosidade de intervenção de determinados grupos, podem aparecer também em Portugal”.
MINISTROS CONTACTAM
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, e o ministro do Interior espanhol, Alfredo Péres Rubalcaba, mantêm contactos diários desde o dia em que foi conhecida a primeira ameaça, sexta-feira, e as detenções em Barcelona no dia seguinte. O objectivo é assegurar uma cooperação eficaz entre as diferentes polícias.
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