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Agente da PSP rapta em cobrança difícil

Vítima passou quatro horas a ser espancada e ameaçada de morte. Polícia usou crachá e arma de serviço em extorsão de 50 mil euros por negócio que correra mal.

27 de agosto de 2010 às 00:30

Crachá da PSP e pistola de serviço em punho, o agente da Esquadra de Investigação Criminal de Loures foi até Camarate, na última sexta-feira à tarde, raptar um homem. Com ele levou quatro cúmplices – para quatro horas de tortura, entre violentas agressões e ameaças de morte à vítima. Tudo no exercício de uma cobrança difícil, por causa de um negócio de 50 mil euros relacionado com a venda de um jipe para Angola que correra mal. A Secção de Roubos da Polícia Judiciária de Lisboa já prendeu o polícia, de 37 anos, a par de um dos quatro cúmplices, 32, e ontem foram os dois levados ao juiz.

O agente e cúmplices, sendo que há três ainda a monte, já identificados, estão indiciados por rapto para extorsão, roubo com arma de fogo, detenção de arma proibida e ofensas à integridade física. A extorsão diz respeito à declaração de venda que obrigaram a vítima a assinar, sob coacção, para que o registo de propriedade do jipe passasse para nome dos raptores – e o roubo é referente aos documentos que lhe levaram. Objectivo: recuperarem dinheiro que haviam investido num negócio com um homem conhecido da vítima e conseguir que esta dissesse onde estava o tal homem que os enganara.

Tudo começa com esse homem, de origem africana, que fazia parcerias na compra de veículos acidentados para depois os vender em Angola com lucro. O negócio correra bem com outros sócios – por isso o polícia e cúmplices também quiseram investir na compra e venda de um jipe. Só que este veículo não foi levado para África e estava em nome da vítima de rapto, conhecida do homem que supostamente os enganara e desaparecera. O agente da PSP e amigos sentiram-se no direito de reclamar cerca de 50 mil euros.

Enfiaram a vítima em dois carros ao longo de quatro horas – e espancaram-na. Teve de assinar os documentos que lhe puseram à frente.

O Tribunal de Instrução Criminal devolveu a arma de serviço e o crachá ao agente, enquanto os amigos ficaram obrigados a apresentações quinzenais na polícia.

"PSP ERRADICA ESTES CASOS"

Fonte oficial da Direcção Nacional da PSP disse ao CM que "a PSP colaborou com a PJ na detenção do elemento policial, numa demonstração clara e inequívoca do nosso empenho para que as situações marginais sejam identificadas e julgadas pela Justiça. Uma instituição com mais de 22 mil homens e mulheres tem de estar preparada para lidar com casos desviantes e erradicá-los da instituição."

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