PSP referiu também que se seguirão "diligências em termos processuais penais e disciplinares para apuramento dos factos imputados ao suspeito".
O agente que terá avisado os polícias da esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, de que estavam sob investigação, não fazia parte da equipa de investigação, esclareceram esta terça-feira a PSP e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em comunicado, a PSP e a PGR explicaram que a alegada fuga de informação "foi objeto de imediata reação da PSP" e "o suposto autor, que não integrava a equipa de investigação do inquérito, foi já identificado e foram adotadas as medidas, no caso justificadas".
Na segunda-feira, fonte oficial da PSP adiantou que foi aberto um processo disciplinar ao agente, tendo sido também feita "a transferência do seu local de trabalho pelo Comandante do Comando Metropolitano de Lisboa".
A PSP referiu também que se seguirão "diligências em termos processuais penais e disciplinares para apuramento dos factos imputados ao suspeito".
A abertura deste processo surge após a TVI/CNN ter noticiado no sábado que um agente terá violado o segredo de justiça e transmitido informações sobre a investigação a pelo menos um dos suspeitos, que informou os colegas.
Isso permitiu aos polícias saberem alguns dos locais que iriam ser alvo de buscas, pedir aconselhamento a advogados e, em pelo menos um caso, pedir baixa médica no dia antes da operação.
A PSP sublinhou ainda, na mesma resposta enviada na segunda-feira, que a investigação teve início com base numa denúncia efetuada pela PSP ao Ministério Público, tendo coadjuvado o MP desde o início em todas as fases do processo de inquérito, assim como na execução de diversas diligências processuais, nomeadamente buscas domiciliárias e não domiciliárias, detenções e apreensões, que culminaram até ao momento com a aplicação, entre outras, de prisão preventiva para 13 polícias.
Na semana passada, a PSP e o MP realizaram a terceira operação no âmbito dos casos de tortura e violações na esquadra do Rato, tendo sido detidos 15 polícias e um civil, segurança de um espaço noturno.
Um dos agentes foi libertado logo depois da detenção e o civil saiu em liberdade na quinta-feira, depois de o tribunal de instrução ter aceitado o pedido de 'habeas corpus' por detenção ilegal.
Dos restantes 14 polícias, o tribunal decidiu na segunda-feira aplicar a quatro a medida de coação de prisão preventiva, medida que poderá passar a domiciliária, por um crime de abuso de poder e dois crimes de tortura, tendo os restantes 10 ficado em liberdade, dois dos quais foram suspensos de funções e proibidos de contactar com os ofendidos por suspeitas de um crime de abuso de poder e um crime de tortura.
Com a detenção destes 15 polícias - 13 agentes e dois chefes -, aumentou para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto, numa investigação denunciada pela PSP.
Muitos desses abusos foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes
As primeiras duas detenções ocorreram em julho de 2025 e outras sete em março de 2026, estando os nove polícias em prisão preventiva.
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