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Correio da Manhã

Portugal
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Agentes da PJ confusos

A aparente contradição dos depoimentos dos agentes da Polícia Judiciária (PJ) no julgamento da morte da criança de 4 anos que caiu numa caixa de esgoto, na Arrentela, Seixal, levou ontem os advogados do processo a requerer a acareação das testemunhas.
19 de Março de 2005 às 00:00
O Tribunal do Seixal decide a 20 de Abril.
A existência de uma segunda caixa de esgoto, a dezenas de metros de onde o Rogério caiu, suscitou dúvidas ao juiz Henrique Soares.
O inspector António Ferreira, que elaborou o croqui, admite que não se recorda “em que estado estava a caixa, se tinha vestígios de ter sido reparada ou não”. “Sabia que diligências foram feitas anteriormente [na noite do desaparecimento]”?, interrogou o juiz. “Quem lá esteve disse que tinha feito as buscas”, respondeu. “Verificou todas as caixas?”, continua. “Não me recordo.” E se havia outras anomalias? “Não me recordo.”
O inspector Francisco Correia fez a reportagem fotográfica e garante que “foi para o local pelas 7 ou 8 horas da tarde”. O juiz estranha. “Os factos ocorreram pelas 21h20”, diz. A testemunha faz ainda uma declaração que espanta todos. “Acompanhei o inpector Barbosa nas investigações nessa noite”. Mas “a sua participação não consta nos autos”, o que levou o juiz a chamar a depor, mais uma vez, o funcionário municipal Neto Marques. “Não o vi de certeza. Estiveram no local, comigo, o inspector Barbosa, que chegou pelas 02h30, dois ou três agentes da PSP e familiares da criança”, disse.
Por tudo isto, o advogado do arguido, Orlando Pereira, diz que “encontra óbvias contradições” nos depoimentos, pelo que requer a “reavaliação e reconstituição dos factos para o Tribunal ser esclarecido”. É secundado pelos advogados Paula Pinha, que representa a autarquia, e Nóvoa Cortez, repesentante da família da criança.
BLOCO DE NOTAS
4 DE ABRIL
A próxima sessão do julgamento no 1.º Juízo Criminal do Tribunal do Seixal é no dia 4 de Abril, pelas 14h00.
LEI RA ROLHA
O arguido, António Galveias, acusado de homicídio por negligência e infracção nas regras de construção, recusou prestar declarações ao CM.
MORTE EM 1999
Rogério Filipe caiu numa caixa de esgoto quando passeava com a família a 22 de Março de 1999. O corpo apareceu na manhã seguinte na estação de tratamento. A família pede indemnização de 400 mil euros.
20 MIL CAIXAS
O vereador Ricardo Ferreira disse que existem 15 a 20 mil tampas no concelho.
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