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Correio da Manhã

Portugal
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Agentes da PSP tramam colegas

Dezasseis agentes, um chefe e uma oficial acusados de tortura, sequestro e agressões.
Sérgio A. Vitorino e Henrique Machado 12 de Julho de 2017 às 09:19
Uma das vítimas a ser colocada numa ambulância dos Bombeiros da Amadora dias depois das agressões
Uma das vítimas a ser colocada numa ambulância dos Bombeiros da Amadora dias depois das agressões FOTO: João Santos
Os depoimentos de colegas e o sangue de uma vítima no local errado tramaram 16 agentes, um chefe e uma oficial da PSP da Amadora agora acusados pelo Ministério Público de tortura, sequestro, ofensa à integridade física e falsidade de testemunho - crimes cometidos em fevereiro de 2015, "alimentados por ódio racial", contra oito moradores da Cova da Moura, na Buraca, Amadora.

De acordo com a acusação, a que o CM teve acesso, os agentes abordaram Bruno e encostaram-no à parede, chamando-o de "macaco" e dando-lhe pontapés e bastonadas que o fizeram sangrar da boca e nariz. Jailza, chamada pelos gritos, foi atingida à janela por duas balas de borracha. E Neusa no nariz. Bruno foi levado na carrinha e agredido com bastões na cabeça. A investigação da Unidade Nacional Contraterrorismo da PJ diz que as agressões continuaram na esquadra, onde seis amigos de Bruno foram "apenas para questionar" o motivo da detenção.

Quatro deles - Celso, Flávio (ambos mediadores do Moinho da Juventude), Paulo e Miguel - foram detidos e agredidos. Os agentes disseram que estes tentaram invadir a esquadra, mas o MP recusa essa versão. Até porque os polícias arguidos afirmam que os ‘invasores’ eram entre 15 e 25 e outros agentes, nos seus depoimentos, dizem ter sido "4 ou 5", "5 a 7" ou "menos de 10".

As horas seguintes foram de agressões, tiros de shotgun à queima-roupa e comentários racistas como "vão morrer todos, pretos".

O sangue de Bruno, que os agentes diziam estar numa rua, foi encontrado em outra, corroborando a versão da vítima.

A oficial da PSP que comanda a esquadra é arguida por não ter impedido as agressões e, ainda, limpo com uma esfregona os vestígios de sangue antes da chegada dos bombeiros. Vários agentes terão falsificado os autos das detenções.
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