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Correio da Manhã

Portugal
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Agitação foi fatal

O proprietário de um café em Valongo do Vouga, Águeda, que anteontem ao fim da tarde se envolveu numa escaramuça com o seu fornecedor de gelados, não morreu com três facadas no pescoço, como erradamente o CM noticiou ontem – com base em informações das autoridades –, mas de causas naturais e súbitas.
25 de Abril de 2006 às 00:00
A rixa entre o fornecedor de gelados e o comerciante aconteceu à porta deste café, explorado pela vítima
A rixa entre o fornecedor de gelados e o comerciante aconteceu à porta deste café, explorado pela vítima FOTO: António Manuel Rodrigues
A informação prestada ao CM, e cruzada por duas fontes, apontava para a ocorrência de um homicídio, mas logo ontem, de madrugada, o Hospital de Águeda afastava qualquer sinal de agressão com objecto contundente, referindo-se apenas a um traumatismo, que pode ter ocorrido antes ou depois do colapso e queda no chão da vítima, Manuel Marques, de 39 anos.
O homem que foi inicialmete suspeito das agressões, de 29 anos, que identificamos apenas como L., contou ao CM a sua versão, defendendo-se. “Eu nunca lhe toquei, foi ele e a mulher dele que me agrediram, no momento em que ele caiu ao chão estava eu a chamar a GNR ao local para me queixar da agressão”, refere o fornecedor de gelados.
Também as cassetes de videovigilância da bomba de gasolina Avia, onde se situa o café, foram visionadas pelas autoridades e o CM sabe que, já depois das agressões envolvendo os dois homens e respectivas mulheres, Manuel Marques afastou-se alguns metros do local, em direcção ao posto de abastecimento, e caiu inanimado.
De acordo com L., “tudo começou no sábado com o fornecimento de uma série de caixas [de gelados]”. “No final, as contas não batiam certas, embora eu tivesse a certeza do que tinha descarregado, não quis confusão e deixei ficar mais duas caixas. No final do dia, na contagem final da carrinha, faltava uma caixa, pelo que deduzi que só podia ser aquela do café da Avia.”
O fornecedor foi nesse mesmo dia, ao final da tarde, questionar Manuel Marques sobre o sucedido, mas este mostrou-lhe que na arca só havia uma caixa e não duas. Continuando desconfiado, L. regressou ao café, no domingo à tarde, com a esposa e uma filha de seis anos, para comprar gelados e ter oportunidade de ver quantas caixas efectivamente existiam.
A partir daqui acusações puxam acusações, a escaramuça instalou-se e só cessou já depois de L. ter sido agredido numa anca e a esposa na cabeça. “Foi quando telefonava para o 112 que ele caiu ao chão. Eu não tive qualquer culpa”, sustenta.
'TEVE UM ATAQUE'
O CM tentou durante todo o dia de ontem falar com a viúva da vítima ou outros familiares, mas tal não foi possível. No local onde tudo aconteceu, testemunhas oculares dos acontecimentos de anteontem confirmam que “já tudo tinha acabado quando o Manuel caiu”. A mesma testemunha diz que “os ânimos estiveram sempre muito exaltados e que isso pode ter contribuído para que o Manuel tivesse um ataque de coração”.
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